Terça-feira, 13 de Abril de 2021

Recordando... Sophia de Mello Breyner Andresen

PRAIA

 

Os pinheiros gemem quando passa o vento

O sol bate no chão e as pedras ardem.

 

Longe caminham os deuses fantásticos do mar

Brancos de sal e brilhantes como peixeis.

 

Pássaros selvagens de repente,

Atirados contra a luz como pedradas

Sobem e morrem no céu verticalmente

E o seu corpo é tomado nos espaços.

 

As ondas marram quebrando contra a luz

A sua fronte ornada de colunas.

 

E uma antiquíssima nostalgia de ser mastro

Baloiça nos pinheiros.

 

In "Mar”

Editorial Caminho

 

Sophia de Mello Breyner Andresen

(1919 - 2004)

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Domingo, 8 de Novembro de 2009

Recordando... David Mourão-Ferreira... Poeta do Séc. XX

PRAIA DO PARAÍSO

 

Era a primeira vez que nus os nossos corpos
apesar da penumbra à vontade se olhavam

Surpresos de saber que tinham tantos olhos
que podiam ser luz de tantos candelabros

Era a primeira vez cerrados os estores
só rumor do mar permanecera em casa

E sabias a sal, e cheiravas a limos
que tivessem ouvido o canto das cigarras

Havia mais que céu no céu do teu sorriso
madrugava de tudo em tudo que sonhavas

Em teus braços tocar era tocar os ramos
que estremecem ao sol desde que o mundo é mundo

É preciso afinal chegar aos cinquenta anos
para se ver aos vinte é que se teve tudo.

 

In “O Algarve em Poemas”

Edições ASA

David Mourão-Ferreira

1927 – 1996

 

sinto-me: Radiante Sempre...
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Sábado, 24 de Maio de 2008

Recordando... Poetas naturais do Porto (Portugal)... António Nobre

NA PRAIA LÁ DA BOA NOVA

 

Na praia lá da Boa Nova, um dia,

Edifiquei (foi esse o grande mal)

Alto castelo, o que é a fantasia,

Todo de lápis-lazúli e coral!

 

Naquelas redondezas não havia

Quem se gabasse dum domínio igual:

Oh, castelo tão alto! parecia

O território dum senhor feudal!

 

Um dia (não sei quando, nem sei donde)

Um vento seco de deserto e spleen

Deitou por terra, ao pó que tudo esconde,

 

O meu condado, o meu condado, sim!

Porque eu já fui um poderoso conde,

Naquela idade em que se é conde assim…

 

Porto, 1887

 

In “SÓ” – Sonetos – 3

Estante Editora

 

António Nobre

1867 – 1900

 

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