Domingo, 13 de Junho de 2021

Recordando... Fernando Pessoa

FIQUEI DOIDO, FIQUEI TONTO…

 

Fiquei doido, fiquei tonto...

Meus beijos foram sem conto,

Apertei-a contra mim,

Aconcheguei-a em meus braços,

Embriaguei-me de abraços...

Fiquei tonto e foi assim...

 

Sua boca sabe a flores,

Bonequinha, meus amores,

Minha boneca que tem

Bracinhos para enlaçar-me,

E tantos beijos p'ra dar-me

Quantos eu lhe dou também.

 

Ah que tontura e que fogo!

Se estou perto dela, é logo

Uma pressa em meu olhar,

Uma música em minha alma,

Perdida de toda a calma,

E eu sem a querer achar.

 

Dá-me beijos, dá-me tantos

Que, enleado nos teus encantos,

Preso nos abraços teus,

Eu não sinta a própria vida,

Nem minha alma, ave perdida

No azul-amor dos teus céus.

 

Não descanso, não projecto

Nada certo, sempre inquieto

Quando te não beijo, amor,

Por te beijar, e se beijo

Por não me encher o desejo

Nem o meu beijo melhor.

 

s.d.

 

In “Pessoa por Conhecer - Textos para um Novo Mapa”

Teresa Rita Lopes

Editora Estampa - 1990

Pág. 35

 

Fernando Pessoa

(1888-1935)

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Segunda-feira, 7 de Junho de 2021

Recordando... Ricardo Reis

OS DEUSES DESTERRADOS

 

Os deuses desterrados.

Os irmãos de Saturno,

Às vezes, no crepúsculo

Vêm espreitar a vi

 

Vêm então ter connosco

Remorsos e saudades

E sentimentos falsos.

É a presença deles,

Deuses que o destroná-los

Tornou espirituais,

De matéria vencida,

Longínqua e inativa.

 

Vêm, inúteis forças

Solicitar em nós

As dores e os cansaços,

Que nos tiram da mão,

Como a um bêbedo mole,

A taça da alegria.

 

Vêm fazer-nos crer,

Despeitadas ruínas

De primitivas forças,

Que o mundo é mais extenso

Que o que se vê e palpa,

Para que ofendamos

A Júpiter e a Apolo.

 

Assim até à beira

Terrena do horizonte

Hiperion no crepúsculo

Vem chorar pelo carro

Que Apolo lhe roubou.

 

E o poente tem cores

Da dor dom deus longínquo,

E ouve-se soluçar

Para além das esferas...

Assim choram os deuses.

 

12-6-1914

 

In “Odes de Ricardo Reis”

(Notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor)

Ática, 1946 (imp.1994)

Pág. 16

 

Ricardo Reis

 

Heterónimo de Fernando Pessoa (1888-1935)

 

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Terça-feira, 1 de Junho de 2021

Recordando... Álvaro de Campos

AH A FRESCURA NA FACE DE NÃO CUMPRIR UM DEVER!  

 

Ah a frescura na face de não cumprir um dever!  

Faltar é positivamente estar no campo!  

Que refúgio o não se poder ter confiança em nós!  

Respiro melhor agora que passaram as horas dos encontros,  

Faltei a todos, com uma deliberação do desleixo,  

Fiquei esperando a vontade de ir para lá, que eu saberia que não vinha.  

Sou livre, contra a sociedade organizada e vestida.  

Estou nu, e mergulho na água da minha imaginação.  

E tarde para eu estar em qualquer dos dois pontos onde estaria à mesma hora,  

Deliberadamente à mesma hora...  

Está bem, ficarei aqui sonhando versos e sorrindo em itálico.  

É tão engraçada esta parte assistente da vida!  

Até não consigo acender o cigarro seguinte...

Se é um gesto,  

Fique com os outros, que me esperam, no desencontro que é a vida.

 

17-6-1929

In “Poesias de Álvaro de Campos”
Ática, 1944 (imp. 1993) 
Pág. 40

Álvaro de Campos

 

Heterónimo de Fernando Pessoa (1888-1935)

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Segunda-feira, 31 de Maio de 2021

Recordando... Luís Adriano Carlos

À ESPERA DA MUSA

 

Espero pela musa como quem confia

na transfiguração do mundo e na transmigração das almas.

Espero pela musa como quem não usa

usar o pensamento no lugar do génio

que todo o verso puro traz da luz eterna. Espero

pela musa, louco, pela musa espero, fonte

da minha criação sem termo. Um verso, musa,

um verso mais espero. E, se não vem,

sempre virá depois de apenas não ter vindo.

 

Musa espero, como quem confia.

 

In “Livro de Receitas”

Campo das Letras, 2000

 

Luís Adriano Carlos

(N.1959)

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Terça-feira, 25 de Maio de 2021

Recordando... Manuela Amaral

ODE À TRISTEZA

 

Eu canto esta alegria

(entristecida)

de tanto te lembrar

e ser saudade

E a minha voz é forte

timbrada de dias

e distâncias

com as palavras todas mastigadas

(E se tristeza tenho

que me reste

não me julgues parada

ou indecisa

Cristalizei meus olhos de chorarem

e o meu olhar é firme,

certeiro ao teu encontro)

Eu canto esta alegria

de segredar-me ao vento

e seguir viagem

em direcção de ti

leve

impensada

informe

e num fluir de aragem

ser transformada em ar

Pedaço que respiras.

E nos meus dedos mansos

-veludos que pisaram

teu corpo em movimento-

vou amarrar o tempo

as letras do teu nome

E depois morrer.

Eu canto esta alegria

de saber-te

 

In “Esta Coisa Quase Vida” - 1993

Editora Fora do Texto

 

Manuela Amaral

(1934-1995)

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Quarta-feira, 19 de Maio de 2021

Recordando... António Cândido Franco

NELA CELEBRO O ÊXTASE DA TERRA

 

Nela celebro o êxtase da terra

o luminoso nascimento do mundo

da carne a esplêndida Primavera

quando tudo é vida e desejo fundo

 

Nela celebro a beleza do dia

um rio de seiva e sangue fecundo

Nela celebro da selva a luxúria

quando tudo é sede e prazer jucundo

 

Ela é um fruto de carne da terra

um canto azul no princípio de tudo

Eu sou apenas a sombra que cerra

o último crepúsculo quedo e mudo

 

Sem a chamar aos pés ponho de sua casa

de uma palavra o silêncio em brasa

 

In “Estâncias Reunidas” (1977-2002)

Edições Quasi

 

António Cândido Franco

(N.1956)

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Quinta-feira, 13 de Maio de 2021

Recordando... Duarte de Montalegre

POEMA DO BEIJO COMPREENDIDO

 

1 – PLATONISMO

 

Aqui tens os beijos teus
que noutra altura me deste.
Testemunha seja Deus
de que não me compreendeste!
Para que quero os teus beijos?
–  Elesnão me valem de nada...
São outros os meus desejos,
são outros, são, minha Amada!
Os teus beijos? – Coisa pouca!
Os teus beijos? – Nada são!
Nada vale a tua boca
Só vale o teu coração...

 

2 – DRAMA

 

Meu Amor! Dá-me o perfume

dos teus lábios de rubim!
Num beijo, Amor, se resume

nosso desejo sem Fim...

Meu Amor! Dá-me o veludo

dos teus afagos de seda!
Em nosso amor, tudo, tudo

se resolve em labareda...

Meu Amor! Dá-me a certeza

do teu Anseio Maior!

Tuas palavras são reza

de saudade, ó meu Amor...

 

3 – PROJECTO

 

Amanhã, quando chegar,

meu Amor, ao pé de ti,

longamente hei-de beijar

os teus lábios de rubi...

Quando estiver, amanhã,

junto a ti, nos meus desejos,

nos teus lábios de romã

hei-de dar milhões de beijos...

Quando, amanhã, estender

minha mão no teu regaço,

o teu beijo de Mulher

acalmará meu cansaço...

 

4 – ANSEIO 

 

Um dia seremos nós,

meu Amor, numa unidade!

E ouviremos a voz

meiga e doce da saudade...

Havemos de ser um dia

um só apenas, Amor!

E nessa etérea harmonia

pode vir seja o que for

que não há-de, não, vencer

nossos divinos desejos...

Dá-me, teus lábios, Mulher!

Meu Amor! Dá-me mil beijos!...

 

5 – ANTES QUE, VENHA A MORTE

 

Deixa que beije os teus olhos!

Deixa que os beije, sem fim!

Mar oloroso, sem escolhos,

são teus lábios de rubim

Deixa que beije teus lábios,

os lábios do meu Desejo.

Os teus olhos meigos... abre-os,

para que os feche num beijo!

E quando teus lábios doces

colados forem aos meus,

será como se tu fosses,

ó meu Amor, o meu Deus!

Teus olhos deixa beijar-me

e teus lábios entender-me,

–antes que clamem alarme

as minhas ânsias de verme!...

 

6 – NUDEZ

 

Deixa que te ame sem veste,

nessa nudez de ansiedade!

Meu Amor! Não me entendeste!

Meu Amor! Tenho saudade!

Dá-me os teus seios de alvura

ao afago dos meus dedos!

Será meu gesto a futura

mensagem dos teus segredos!

Abre, Amor, aos meus anseios

O teu mundo de mistério...

Não tenhas vagos receios

Beija meu corpo! – E fere-o!

 

7 – DESVAIRAMENTO

 

Abre aos meus lábios os teus

e tua boca abre a minha!

Deixa que te ame sem véus...

Deixa que te ame, Rainha...

Deixa que o mundo eu devasse

das ancas da tua dor!

Num beijo à terra o sol dá-se...

Sejamos como eles, Amor!

Chega ao meu corpo teus seios,

meu Amor, deixa esmagá-los...

Eu bem sei que os teus anseios

querem os nossos abalos!

Meu Amor! Cinge meu peito,

de nós faz um corpo só!

– Que um dia, no mesmo leito,

lodo seremos, – e pó!...

 

8 – CULMINAÇÃO

 

Olhos fechados, sem luz;

boca cerrada, sem fala;

– só a vida nos conduz...

Amor! Não queiras pará-la!

Eu te comungo sem fim,

no mesmo anseio da hora!

Amor! Se existes em mim,

em ti existo, Senhora!...

E mais suave e mais lento

nosso Desejo Maior!

– Sou momento em teu momento...

És momento, meu Amor!...

 

9 – ANTESDO REGRESSO

 

Meu Amor! Chega-te a mim!

Meu Amor! Tenho, receio!

Deixa que morda o rubim

que se aninha no teu seio...

Rasga meu corpo com teus

loucos, infindos Desejos!

Cola teus lábios aos meus

na carícia de mil beijos...

Minha mão aventureira

vai desbravando segredos.

Meu Amor! És a primeira

mulher que sabem meu dedos!

Embalemo-nos em suave,

emsuavíssima harmonia.

Meu Amor,és trilo de ave

eés a luz de meu dia...

E quando, enfim, teu suspiro

me disser que nos chegámos,

eujá não vivo, – deliro!

– Tens sonhos? Meu Amor: dámos!...

 

10 – TRANSCENDÊNCIA

 

Mas a vida não se cinge

à hora do nosso amor...

Finalidades atinge

de uma projecção maior.

Se por acaso parasse

a vida, nesse minuto,

por mais, Amor, que to amasse,

tudo seria de luto!

É maior a nossa vida,

maior que os nossos desejos...

E por mais incompreendida

que seja a hora dos beijos

elaé bela, porque é belo

da vida o doce florir...

– E a luz do Setestrêlo

Há-de brilhar, no Porvir!

 

In “Altura Cadernos de Poesia” I

Casa do Castelo, Editora, Coimbra – Fevereiro de 1945

 

Duarte de Montalegre **

(1920-2010)

 

** Pseudónimo de J. V. de Pina Martins 

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Sexta-feira, 7 de Maio de 2021

Recordando... António Barbosa Bacelar

A UMA AUSÊNCIA

 

Sinto-me sem sentir, todo abrasado

No rigoroso fogo que me alenta;

O mal, que me consome, me sustenta;

O bem, que me entretém, me dá cuidado;

 

Ando sem me mover, falo calado;

O que mais perto vejo se me ausenta

E o que estou sem ver mais me atormenta;

Alegro-me de ver-me atormentado;

 

Choro no mesmo ponto em que me rio;

No mor risco me anima a confiança;

Do que menos se espera estou mais certo;

 

Mas se, de confiado, desconfio,

É porque, entre os receios da mudança,

Ando perdido em mim como em deserto.

 

Fénix Renascida

 

In “Breve Antologia Poética do Período Barroco”

Colecção Brevíssima

Liv. Civilização Editora e Contexto Editora

 

António Barbosa Bacelar

(1610-1663)

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Sábado, 1 de Maio de 2021

Recordando... João Rasteiro

O CANTO DA TERRA

 

Tu que renasces da boca da terra

magia nua da inocência aberta nos dedos

que prolonga a ferida que se faz carne

e onde a água cintila de ingénuos aromas

propagando embriões numa concha redonda

e onde os homens farejam a vida inteira

escutando o silêncio sibilante dos astros roxos

e onde o orvalho abre o sexo da noite

esquecendo a morte agasalhada em asas.

 

Tu a continua fonte entre as ervas rebeldes

gemendo como magnólias acesas pela madrugada

que já não se separa da incessante metamorfose

e onde a lisura delira na suave fluidez animal

o sangue cheio de fêmeas grandiosamente abertas

e onde com o fogo lânguido se envolve a terra

como os amantes de pálpebras ainda adolescentes

e onde o som deles sufoca a construção do corpo

cantando o linho agudo com um feixe de vida.

 

Mulheres correndo a terra com crinas brancas

fogos de antimónio que ultrapassam o sol

uma constelação antiga ardente como sexos

unindo a ferocidade das palavras ao inebriado da boca

que da semente da terra nascerá a fêmea azul

ela mesma um mapa fruto uma flor da terra.

 

In “A revisitação dos lúzios” (inédito)

 

João Rasteiro

(N.1965)

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Sexta-feira, 30 de Abril de 2021

Recordando... António Durão

VIRGEM DO CEU!

 

Virgem do Ceu! E a chuva que não pára...

O vento geme e ulula ao desafio.

Anda a morte a rondar-nos... Sinto o frio

Em que a Má-Sombra às vezes se mascara.

 

Olhai, lá foge... És tu que vens. Sorrio.

Teu vulto apenas – ó Piedosa e Rara! –

Eterio luminoso, aquece e aclara

O tempo agreste, glacial, sombrio.

 

Caem do teu olhar bênçãos de Paz.

Toda a dôr, toda a magua se desfaz,

Alva açucena casta e misteriosa...

 

Um extasi de amor raza as montanhas,

Quando as tuas mãos sacramentais, extranhas,

Descem, pairando sobre a terra anciosa!

 

In “Contemporanea”

Ano I – Volume II – Nº.6 - Ano 1922

Pág. 96

 

Mantém a grafia original

 

Américo Durão

(1894-1969)

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