Sexta-feira, 25 de Maio de 2018

Recordando... Sophia de Mello Breyner Andersen

PARA ATRAVESSAR CONTIGO O DESERTO DO MUNDO

 

Para atravessar contigo o deserto do mundo

Para enfrentarmos juntos o terror da morte

Para ver a verdade para perder o medo

Ao lado dos teus passos caminhei

 

Por ti deixei meu reino meu segredo

Minha rápida noite meu silêncio

Minha pérola redonda e seu oriente

Meu espelho minha vida minha imagem

E abandonei os jardins do paraíso

 

Cá fora à luz sem véu do dia duro

Sem os espelhos vi que estava nua

E ao descampado se chamava tempo

 

Por isso com teus gestos me vestiste

E aprendi a viver em pleno vento

 

In “Livro VI”

Livraria Morais Editora

 

Sophia de Mello Breyner Andersen

(1919-2004)

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Sábado, 19 de Maio de 2018

Recordando... Pedro Tamen

DEVAGAR TE AMO

 

Devagar te amo, e devagar assomo

os dedos à altura dos olhos, do cabelo

dos anéis de outro turno, que é só meu

por querê-lo, meu amor, como a ti mesma quero

nos tempos de passado e sem futuro.

Devagar avanço um dealbar de dias

que vida seriam - mesmo que morto, à noite,

eu voltasse amargurado mas presente,

calado e quedo, e devagar amando.

 

In “Rua de Nenhures”

Edições Dom Quixote

 

Pedro Tamen

(N.1934)

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Domingo, 13 de Maio de 2018

Recordando... Teresa Machado

SOU TODA TUA

 

Nua, nua

toda tua

vê-me assim!

Diz-me lá,

queres-me já?

Vens pra mim?

 

Faz-me amor,

dá calor

à amada.

Já transpiras

e respiras

madrugada!

 

Dás-me tanto

que é espanto

que te dou.

Se te canto

teu encanto

aumentou!

 

In “Com-sensual-idade”

Hugin Editores

 

Teresa Machado

(N. 1954)

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Segunda-feira, 7 de Maio de 2018

Recordando... Jorge Gomes Miranda

SEMENTEIRA

 

Com um garfo

separava

para uma saca de plástico

arroz,

pedacinhos de pescada,

carapau, chicharro;

as espinhas deitava-as ao lixo.

O melhor do conduto

era sempre para os gatos.

Semelhante ao poeta

que guarda a parte maior

da sua vida,

as palavras,

para o leitor.

 

In “Velhos”

Editora Teatro de Vila Real, 2008

 

Jorge Gomes Miranda

(N. 1965)

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Segunda-feira, 30 de Abril de 2018

Recordando... Fernando Campos de Castro

NOS MEUS CANSAÇOS

 

Puxei o meu lençol e sinto frio

À procura de ti, amor amado

Só sinto a solidão e um vazio

No meu corpo despido e tão cansado

 

Apago a luz dos olhos e mais vejo

Suspensa a tua imagem aqui perto

E os dedos não acalmam o desejo

Que arde no meu corpo a céu aberto

 

É noite e a solidão na minha vida

É sombra que não quero e que me chama

E sinto que estou preso e sem saída

Nas grades da prisão da minha cama

 

Anda morrer amor nos meus cansaços

Nesta cama de frio que sou eu

Para sentir no fogo dos teus braços

Que o nosso grande amor nunca morreu

 

In “Os meus fados são teus fados”

Seda Publicações

 

Fernando Campos de Castro

(N. 1952)

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Quarta-feira, 25 de Abril de 2018

Recordando... António Carlos Santos

SEI DE MIM

 

Sei de mim

dos meus retalhos

dos lamentos

dos abismos

das penumbras

dos instantes

das eternidades

e do mar que me quer…

 

Sei de mim

do chão que piso

nas vésperas

no amanhecer

nas manhãs

na madrugadas

e das flores com que me visto…

 

Sei de mim

da sede da minha alma

das danças com a lua

dos enganos

das sombras

e da luz com que me lavo…

 

Sei de mim

a cada palavra

e sei de mim

nas palavras que me tiram…

e sei das palavras que resgato no silêncio.

 

Sei de mim

e morrerei comigo!

 

In “50 Anos, 50 Poemas”

Seda Publicações

 

António Carlos Santos

(N.1964)

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Quinta-feira, 19 de Abril de 2018

Recordando... José Gabriel Duarte

CARTA DE AMOR

 

Se eu tivesse de escrever

uma carta de amor

não escreveria a palavra amor

nem amar

não falaria em ti

nem em mim

porque em amor

não há padrões

nem regras

nem ordem

o amor é ilógico

inusitado

tanto mais ardente

quanto menos pensado

tanto mais atraente

quanto menos ordenado.

Se eu tivesse de escrever

uma carta de amor

escreveria apenas

QUERO-TE

desde o principio

até ao fim…

 

In “O TEMPO E O VERSO”

MoDocromia Editora

 

José Gabriel Duarte

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Sexta-feira, 13 de Abril de 2018

Recordando... Alexandra Malheiro

O INVERSO DE TI

 

Por um momento

tocar o inverso de ti,

a fuga e o tempo que te atrapalha,

o vento que te sacode

os ombros

e te faz voar.

 

Quero ser uma luz

tranquila e pequenina

a elevar-te de espanto,

a coroar no teu rosto

a angústia da

solidão.

 

In “Geografias Dispersas”

Editora Edita-Me

 

Alexandra Malheiro

(N.1972)

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Sábado, 7 de Abril de 2018

Recordando... Paula Raposo

POR TI...

 

Damos as mãos, em simultâneo,

nem sequer nos olhamos,

basta o tacto, e esse calor

húmido que me inebria.

 

Quero sentir-te,

fervilhar no afago da tua mão,

e derreter-me nas mãos do nosso amor.

 

Não me deixes,

segura-me ainda,

aperta-me, enlouquece-me;

desliza pelo meu corpo

que te espera, entra em mim.

 

Deixa que eu me entregue

pelo tempo que o tempo dura,

vive por mim, em mim,

o momento de ser tua.

 

In “Canela e erva doce”

Magna Editora

 

Paula Raposo

(N.1954)

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Domingo, 1 de Abril de 2018

Recordando... Jorge Vieira

AS ESPERAS DO AMOR

 

Esperas inúteis são horas vencidas,

Por impulsos que o nosso corpo tem;

Loucuras, devaneios que as nossas vidas,

Vão semeando aqui e além.

 

Frutos de amor, vértices de ternura,

Lânguidos cansaços, plenos de prazer;

Despertam no calor da noite escura,

Abraçados à fúria de viver.

 

Quantos corpos desmaiam, sequiosos,

Ao encontro de um amor a construir;

Repletos de silêncios e desejosos,

Da vontade de ser e de existir.

 

Mãos que se unem em harmonia

São cadeias de gestos repetidos;

Que cobertos de dor e de alegria,

 

In "Manhãs Inquietas"

Mosaico de Palavras Editora

 

Jorge Vieira

(N. 1952)

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