Domingo, 31 de Março de 2019

Recordando... Orlando Neves

MUITAS CIDADES VIU PELA ÚLTIMA VEZ

 

Muitas cidades viu pela última vez, mares

que sulcou, sentimentos que sentiu,

jardins onde esteve, bosques onde sonhou,

amores que recorda, ruas que pisou,

 

poemas que o possuíram, neves onde

se corroeu, corpos de que foi parte, céus

que desabaram, dores que sofreu, palavras

jamais lembradas, alegrias que perdeu

 

– fragmentos de vidas irrepetíveis, como

esses segundos que fogem quando fulgem

os olhos de Laura. Só o trabalho do corpo

 

rompe o hímen do inconsolável tempo perdido.

Reaprende Francesco a sede do instante, a vida

rápida na memória dos olhos de Laura.

 

In “Nocturnidade”

Campo das Letras – 1999

 

Orlando Neves

(1935 -2005)

publicado por cateespero às 00:00
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Segunda-feira, 25 de Março de 2013

Recordando... Orlando Neves

OUTRA MADRUGADA

 

Outra madrugada, outra palavra, outras águas

que, ora violentas, ora serenas, ora

sedentas, como inconstantes graves amantes

descem aos olhos de Laura a violá-los, outros

 

silêncios, outros lumes, outros medos que ora

glaciais, ora cálidos, ora instáveis,

entre ruínas, delírios e desafios

lançam sobre os olhos a ténue gaze

 

que os vai delindo e a escurecê-los ousam,

sufocando-lhes, impiedosa, a amplidão

do verde no plaino áspero do tempo, somente os

 

mudarão em vasos de ouro eterno, acendendo

em Francesco outra maresia, nova seiva,

nova lira, outra ceifa, outra rosa do dia.

 

 

In “Nocturnidade”

Campo das Letras – 1999

 

Orlando Neves

1935 – 2005

publicado por cateespero às 00:00
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Terça-feira, 16 de Fevereiro de 2010

Recordando... Orlando Neves... Poeta Contemporâneo

VEM E DIZ

 

Vem e diz. Que enorme casa resplandece

de bronze, que vento destrói as belas

lavouras, quem entende a fala das perdizes,

ungidas da luz matinal.

 

Vem e diz. Por um tempo de nada, a juventude

banha a nudez do rosto e nos deleita

dos amáveis dons da idade. Em minha casa amada,

sou uma tâmara redonda e madura.

 

Vem e diz. Quem nos ensina o caminho

da cidade, que pão amassado é arma excelente,

pendular e lenta, da agonia, que distância

nos isola dos homens de fala dotados.

 

Vem e diz. Não invejo os deuses nem as suas

acções, não mudo o pranto em louvor, nem

das brisas oceânicas provém o passo

da fortuna, areia fugida à contagem.

 

Vem e diz. Que sombra de sonho é o

homem, o que de muitos veio para ser único,

o que, ornado de ouro e alado, em dez

medidas de água sucumbe, em bolor se devora.

 

Vem e diz. Bebamos

 

 

In “Lamentação em Cáucaso”

Património XXI – 1991

 

Orlando Neves

1935 – 2005

 

sinto-me: Radiante Sempre
publicado por cateespero às 00:00
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