Sexta-feira, 19 de Janeiro de 2018

Recordando... Luís Adriano Carlos

UM VERSO VEM

 

Um verso vem. Calculo o peso da neblina

que envolve o seu teor, o preso ritmo

da esfera em movimento: cerro o olhar na alma tensa

que ao longo do percurso mais ensina. O verso

vem por si em si da imagem que vier

no imaginar do corpo em sua ascese leve, peso

de uma estrutura fina ao seu redor.

 

Um verso vem. O olhar na alma mais se inclina.

 

In “Livro de Receitas”

Campo das Letras - 2000

 

Luís Adriano Carlos

(N. 1959)

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Quinta-feira, 13 de Novembro de 2014

Recordando... Luís Adriano Carlos

PLÁGIO PARA AMADORES

 

Diz-me de amor ardente se não ver,

metáfora que em verso meu somente

me traz de novo a ferida mais contente

e a dor que desatina sem doer.

Teu querer é metonímia de quem quer

a si se convencer do que já sente,

abrir e reabrir constantemente

o verbo que se perde em querer saber.

Persegues vencedora o invencível,

e partes minha vida em duas partes:

nenhuma me pertence e o impossível

reparte-se por ti com tantas artes

que nada se assemelha a tal desnível

de amar essa loucura, os baluartes.

 

Amor é água ardente enquanto arde.

 

In “Livro de Receitas”

Campo de Letras – 2000

 

Luís Adriano Carlos

N. 1959

 

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Terça-feira, 13 de Julho de 2010

Recordando... Luís Adriano Carlos

ELEGIA

 

Dos teus olhos líquidos

irrompem musgos transparentes

onde existe um verso amarrotado

ao meio-dia. Um cinzeiro plástico,

resíduos da noite no óleo dos dedos.

Fica. Senta-te aqui na estrofe

desta ilha impar

num triângulo solitário.

Conversemos do curso que vais tirar,

da sede que mato em teus olhos,

de um animal atropelado,

do empréstimo de um livro, do sono

das aves para esconderem a morte.

Conversemos de tudo em vez de olharmos

as fontes secas e as folhas, o enxame

de lágrimas no meio da rua.

Não é meio-dia. Mentira

enquanto acreditávamos. Agora

só acredito em teu sonho. Gostava

de acariciar teus olhos líquidos

e alisar o verso amarrotado.

Mas perdes-te no voo sonoro e pequenino

do avião no horizonte. Eu queria

falar contigo. Olha

a minha voz sequiosa de ser ouvida

nas arestas do silêncio.

Eu queria era falar contigo.

Vivo num tapete de pregos em brasa

dentro do frio, numa lágrima cristalizada.

Vivo de não viver jamais.

Eu queria falar contigo.

 

 

A Mecânica do Sexxo XX

 

 

In “Poesia Digital – 7 Poetas dos Anos 80”

Campo das Letras

 

Luís Adriano Carlos
N. 1959

 

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