Quinta-feira, 31 de Maio de 2018

Recordando... Fernando Namora

EROSÃO

 

As terras envelhecem como as pessoas.

São meninas

são adultas

são caducas.

Dói ver morrer

mesmo sendo casas

pedras.

Dói que o silêncio

entre nas aurículas

e aí seja musgo

paz saqueada.

Dói tanta coisa:

até um western

numa cidade fantasma.

Dói tudo que finda

e a findar nos mata.

 

As terras envelhecem como as pessoas.

São hoje

são amanhã.

são ontem.

São futuro

são urtigas

são remorso.

São o próprio desejo

de acabar.

 

In “Marketing”

Publicações Europa-América

 

Fernando Namora

(1919-1989)

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Sexta-feira, 1 de Maio de 2015

Recordando... Fernando Namora

POR TODOS OS CAMINHOS DO MUNDO

 

minha poesia é assim como uma vida que vagueia pelo mundo,

 

por todos os caminhos do mundo,

desencontrados como os ponteiros de um relógio velho,

que ora tem um mar de espuma, calmo, como o luar

num jardim nocturno,

 

ora um deserto que o sim um veio modificar,

ora a miragem de se estar perto do oásis,

ora os pés cansados, sem forças para além.

 

Que ninguém me peça esse andar certo de quem sabe

o rumo e a hora de o atingir,

a tranquilidade de quem tem na mão o profetizado

de que a tempestade não lhe abalará o palácio,

a doçura de quem nada tem a regatear,

o clamor dos que nasceram com o sangue a crepitar.

 

Na minha vida nem sempre a bússola se atrai ao mesmo norte.

Que ninguém me peça nada. Nada.

Deixai-me com o meu dia que nem sempre é dia,

com a minha noite que nem sempre é noite

como a alma quer.

 

Não sei caminhos de cor.

 

In “Mar de Sargaços”

Atlântida – Coimbra

 

Fernando Namora

(1919 – 1989)

publicado por cateespero às 00:00
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Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2015

Recordando... Fernando Namora

TERRA

 

Onde ficava o mundo?

Só pinhais, matos, charnecas e milho

para a fome dos olhos.

Para lá da serra, o azul de outra serra e outra serra ainda.

E o mar? E a cidade? E os rios?

Caminhos de pedra, sulcados, curtos e estreitos,

onde chiam carros de bois e há poças de chuva.

Onde ficava o mundo?

Nem a alma sabia julgar.

Mas vieram engenheiros e máquinas estranhas.

Em cada dia o povo abraçava outro povo.

E hoje a terra é livre e fácil como o céu das aves:

a estrada branca e menina é uma serpente ondulada

e dela nasce a sede da fuga como as águas dum rio.

 

in "Novo cancioneiro"

 

Fernando Namora

(1919-1989)

publicado por cateespero às 00:00
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