NA LUZ DE UM OUTRO OLHAR
Há dias em que a estrada é linda
E os passos não se contam
Há dias em que nos sentimos longe
Na serena luz que finda
Sem gente nem flores
Ninguém nos vê mas estamos
Somos
Ficamos
Na cor de um outro olhar
In “Amor Despenteado”
Casa das Cenas - 2007
Edgardo Xavier
(1946-2023)
ENTREGA
Não chegam olhos
nem mãos
para viver o teu corpo aceso
Não basta que o sabor
se arraste pela lisura da boca
e permaneça
húmido
à superfície da pele
Importa que se devassem
segredos
e se abatam as fronteiras
Quero ser água do teu mar
Quero-te febre do meu sangue
In “Corpo de Abrigo"
Temas Originais - 2011
Edgardo Xavier
(N.1946)
CONTIGO
Vivo a noite contigo
e juntos andamos
em quietude de seda.
Pele e vontade
corpo e verdade
um sal de ti.
Vivo a noite contigo
e vou pela quentura
do teu peito adormecido
até ao fim das estrelas.
In “Azul como o silêncio”
Chiado Editora
Edgardo Xavier
(N.1946)
ÉS A SEDE
Basta crer que és o mar
para me sentir barco ou falua
para ser peixe ou morrer
na rua
em excesso de azul
És a sede
que arde nos meus olhos
e não te sabia
In “Corpo de Abrigo”
Temas Originais - 2011
Edgardo Xavier
(N. 1946)
UM DIA
Um dia, serei folha ao vento
tapete dos teus passos
saudade ocre da luz.
Um dia, serei pássaro
e nas alturas
chegarei ao azul onde
silenciosos
dormem os teus sonhos.
Um dia, serei barco no teu enredo
e tumulto do teu sangue.
Um dia, navegarei a teu lado
até ao fim do amor.
In “Escrita Rouca”
Editora Insubmisso Rumor
Edgardo Xavier
(N. 1946)
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