Segunda-feira, 19 de Março de 2018

Recordando... Camilo Pessanha

FOI UM DIA DE INÚTEIS AGONIAS

 

Foi um dia de inúteis agonias.
Dia de sol, inundado de sol!...
Fulgiam nuas as espadas frias...
Dia de sol, inundado de sol!...

 

Foi um dia de falsas alegrias.
Dália a esfolhar-se, – o seu mole sorriso...
Voltavam os ranchos das romarias.
Dália a esfolhar-se, – o seu mole sorriso...

 

Dia impressível mais que os outros dias.
Tão lúcido... Tão pálido... Tão lúcido!...
Difuso de teoremas, de teorias...

 

O dia fútil mais que os outros dias!
Minuete de discretas ironias...
Tão lúcido... Tão pálido... Tão lúcido!...

 

Clepsidra

 

In ”Ler Por Gosto”

Areal Editores

 

Camilo Pessanha

(1867-1926)

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Segunda-feira, 13 de Julho de 2015

Recordando... Camilo Pessanha

QUANDO VOLTEI ENCONTREI OS MEUS PASSOS

 

Quando voltei encontrei os meus passos

Ainda frescos sobre a húmida areia.

A fugitiva hora, reevoquei-a,

– Tão rediviva! nos meus olhos baços...

 

Olhos turvos de lágrimas contidas.

– Mesquinhos passos, porque doidejastes

Assim transviados, e depois tornastes

Ao ponto das primeiras despedidas?

 

Onde fostes sem tino, ao vento vário,

Em redor, como as aves num aviário,

Até que a asita fofa lhes faleça...

 

Toda essa extensa pista – para quê?

Se há-de vir apagar-vos a maré,

Como as do novo rasto que começa...

 

Clepsidra

 

In ”Ler Por Gosto”

Areal Editores

 

Camilo Pessanha

(1867 - 1926)

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Quarta-feira, 7 de Maio de 2014

Recordando... Camilo Pessanha

INTERROGAÇÃO

 

Não sei se isto é amor. Procuro o teu olhar,

Se alguma dor me fere, em busca de um abrigo;

E apesar disso, crê? Nunca pensei num lar

Onde fosses feliz, e eu feliz contigo.

 

Por ti nunca chorei nenhum ideal desfeito.

E nunca te escrevi nenhuns versos românticos.

Nem depois de acordar te procurei no leito

Como a esposa sensual do Cântico dos Cânticos.

 

Se é amar-te não sei. Não sei se te idealizo

A tua cor sadia, o teu sorriso terno...

Mas sinto-me sorrir de ver esse sorriso

Que me penetra bem, como este sol de Inverno.

 

Passo contigo a tarde e sempre sem receio

Da luz crepuscular, que enerva, que provoca.

Eu não demoro o olhar na curva do teu seio

Nem me lembrei jamais de te beijar na boca.

 

Eu não sei se é amor. Será talvez começo...

Eu não sei que mudança a minha alma pressente...

Amor não sei se o é, mas sei que te estremeço,

Que adoecia talvez de te saber doente.

 

In “Poemas de Amor”

Versões Ana Leal

Edição Alma Azul – Janeiro.2006

 

Camilo Pessanha

1867 – 1926 

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Segunda-feira, 31 de Outubro de 2011

Recordando... Camilo Pessanha

CAMINHO

 

Tenho sonhos cruéis; n’alma doente
Sinto um vago receio prematuro.
Vou a medo na aresta do futuro,
Embebido em saudades do presente...

 

Saudades desta dor que em vão procuro
Do peito afugentar bem rudemente,
Devendo, ao desmaiar sobre o poente,
Cobrir-me o coração dum véu escuro!

 

Porque a dor, esta falta d’harmonia,
Toda a luz desgrenhada que alumia
As almas doidamente, o céu d’agora,

 

Sem ela o coração é quase nada:
Um sol onde expirasse a madrugada,
Porque é só madrugada quando chora.

 

 

Clepsidra

 

In ”Ler Por Gosto”

Areal Editores

 

Camilo Pessanha

1867 – 1926

 

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