Sexta-feira, 30 de Abril de 2021

Recordando... António Durão

VIRGEM DO CEU!

 

Virgem do Ceu! E a chuva que não pára...

O vento geme e ulula ao desafio.

Anda a morte a rondar-nos... Sinto o frio

Em que a Má-Sombra às vezes se mascara.

 

Olhai, lá foge... És tu que vens. Sorrio.

Teu vulto apenas – ó Piedosa e Rara! –

Eterio luminoso, aquece e aclara

O tempo agreste, glacial, sombrio.

 

Caem do teu olhar bênçãos de Paz.

Toda a dôr, toda a magua se desfaz,

Alva açucena casta e misteriosa...

 

Um extasi de amor raza as montanhas,

Quando as tuas mãos sacramentais, extranhas,

Descem, pairando sobre a terra anciosa!

 

In “Contemporanea”

Ano I – Volume II – Nº.6 - Ano 1922

Pág. 96

 

Mantém a grafia original

 

Américo Durão

(1894-1969)

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Sexta-feira, 19 de Dezembro de 2014

Recordando... Américo Durão

CONFIDENCIA A PIERROT

 

Ó Pierrot, velho simbolo cançado,

Toda a saudade em teu olhar se abriga,

E a tua voz num fremito mendiga

Ao Sonho o esquecimento do Passado!...

 

Irmão Pierrot, ó timido exilado,

Tambem eu ando morto de fadiga,

Minh’alma de si mesma é inimiga,

E eu choro de mim proprio fatigado.

 

É de mim, é de mim principalmente,

De quem eu mais quizera andar ausente,

E de quem, dia e noite, me acompanho!

 

Fôra eu pastor, vivesse a errar nos montes...

E perdido entre os ermos horizontes,

De mim e da minh’alma andasse extranho.

 

Maio 1922

 

In Revista “Contemporanea”

Director – José Pacheco

Redactor Principal – Oliveira Mouta

Editor – Agostinho Fernandes

Ano I – Volume I – Nº 2 – Ano 1922

Pág. 80

 

Américo Durão

1894 – 1969

 

Grafia original

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Sábado, 31 de Agosto de 2013

Recordando... Américo Durão

A MINHA MÃE

 

Lembra alvuras de cisne sobre um lago,

A minha vida imaculada e honesta;

Oiço bater meu coração em festa,

Pela bondade e amor que nêle trago.

 

Do meu orgulho olímpico de mago,

Só o desdém aos meus inimigos resta,

Maior que às folhas mortas da floresta

Que nos meus dedos pálidos esmago.

 

Mas a piedade enche o meu peito e vem,

Em vez de tão humano e vil desdém,

Ungir meus lábios num perdão divino.

 

– Julguei ser Deus… E choro de cansaço!

 Ó mãe piedosa, embala no regaço,

Meu coração exausto de menino.

 

In “Alma Nova” – Revista de Ressurgimento Nacional

III Série Nos. 4 a 6  Dezembro – Março 1923

Edição da Emprêsa de Arte e Publicidade “Ressurgimento”

 

Américo Durão

1894 – 1969

 

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