O MEU AMIGO
Elle era um doido bom, um doido visionário
Que andava quasi sempre d’olhos rasos d’agua,
E, ás vezes, costumava a soluçar, com magua,
A lenda original d’um Fado extraordinário...
Entrava na taberna assim que anoitecia,
Bebia só absintho e nunca se fartava,
D’ahi, quem sabe lá se no absintho achava
Um meio de esquecer a dôr que o opprimia...
Amava a côr do lucto e odiava a côr do ouro.
E é certo que deixou – estranho typo aquelle! –
Poemas de nevrose em que só punha Chôro...
E eu, que desejo ser o que ninguém deseja,
Julguei-me, por ventura, um doido como elle...
Que um doido já eu sou, embora não no seja!
(mantem a grafia original)
In “Fel (97/98) ”
Empreza Litteraria Lisbonense
Libânio & Cunha Editores - 1898
José Duro
(1875 - 1899)
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