CIGANO
Exibes duas facas nessa mão,
pequeno saltimbanco duma feira.
Cravaste-as no meu pobre coração,
enquanto, distraída, a brincadeira
seguia, como as linhas do Alcorão,
do meu livro sagrado que a carneira
do Sonho emoldurou com perfeição,
mas que dentro é mais fútil que esta feira...
Cigano pequenino, de mãos magras,
onde eu pressinto uma revolta acesa,
atinge mortalmente esta aspereza
que reina na minh' alma, em suas fragas!
Acrobata cigano, de olhar triste,
espero a tua lança sempre em riste!
In “Atrás do Tempo”
Coimbra Editora - 1962
Isabel Gouveia **
(N. 1930)
** Nome literário de Isabel Pereira Mendes
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