Terça-feira, 21 de Dezembro de 2010

Recordando... Maria Almira Medina

QUANDO EU FOR GRANDE

 

Ó mãe,

Quando for grande.

Hei-de agarrar aquela estrela além,

A mais pequenina,

Que treme de medo por cima do Forte

De Santa Catarina;

Tadinha da estrela, ó mãe!...

Faz-lhe medo o mar,

Sempre a ralhar, sempre a ralhar...

Quando for grande,

Hei-de pedir às ondas barulhentas

Que batam devagar,

Devagarinho,

Devagarinho como a tua voz

A adormecer o teu menino...

Olha, vê,

Não chego à estrela, não.

Sou pequenino;

Quando for grande,

(Amanhã já vou grande, mãe?...),

Vou ao barquito do «Pereirão» de Buarcos,

E bato no mar

Até ele chorar...

E a estrela, sem medo,

Há-de deixar-se agarrar,

Porque eu sou grande,

Bati no mar!...

Quando fores rezar

Á capela do Forte

Hei-de ir de mansinho,

Mais de mansinho que as ondas a chorar,

E ponho a estrela pequenina

No teu cabelo...

Hás-de parecer Santa Catarina,

Inda mais linda!...

Depois fujo a buscar mais estrelinhas

Medrosas

E atiro-as às redes dos pescadores pobrinhos,

...   ...   ...   ...   ...   ...   ...   ...   ...   ...   ...   ...   ...   ...

 

Tás a chorar?!...

Aquela estrela não é linda se calhar...

Deixa lá, mãezinha;

Quando for grande,

Levo-te ao céu e escolhes uma maiorzinha...

(Amanhã já sou grande, mãe?...).

 

 

In “Leituras” – (Segundo Tomo) – 1.ª Edição

 

Maria Almira Medina

N. 1920

 

publicado por cateespero às 00:00
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4 comentários:
De Thefas a 24 de Dezembro de 2010 às 03:53

MARAVILHA! TUDO LINDO!
BEIJOS THEFAS
















De Pedro Vicente a 16 de Junho de 2013 às 20:15
Este poema " Quando eu for grande " é das coisas mais bonitas e comoventes que tenho lido. Um amigo tem-no na sua página e eu fiquei encantado. Obrigado por compartilhar connosco coisas tão belas, bem haja por isso, ,Pedro Vicente.
De josé Henriques a 19 de Agosto de 2013 às 16:28
Muito obrigado pela oportunidade que me deu de "reler" este poema tão belo!!! Li-o pela 1ª. vez por volta dos meus 1o /11 anos , num livro de leitura obrigatório do meu 1º. / 2º. ano ( 1954... 1955 ??) talvez; mas nunca mais me esqueceu por completo, tal o doce sentimento que impregnou o meu subconsciente... e agora depois de tantos anos e já sem a minha MÃE entre nós é com grande saudade e ternura que o releio. As lágrimas toldam-me o olhar ...Obrigado minha SENHORA! ( e obrigado ao meu Amigo Pedro Vicente por me ter indicado a Autora de tal tesouro poético).
De Maria Elisabete Filipe a 26 de Dezembro de 2016 às 09:46
Este poema cujas primeiras estrofes nunca esqueci, tem vindo a "bailar" na minha memória... Só hoje, após um período de grande tristeza que a vida colocou no percurso, experimentei já que que assolou de novo à lembrança... e senti, também, a beleza das palavras simples, a profundidade do sentir...a paz.

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