CARRIÇA
I
cantam as aves
nos ramos
da madrugada
mas é um canto antigo
que ficou perdido
como a esperança de um morto
não as ouvimos nós
não as merecemos já
cantam
solitárias e quase tristes
as aves
nos ramos da madrugada.
II
somos de longe
e a estrada
perde-se em becos
neles nos pedem contas
do que foi nosso mas já não temos
e nos cravam agudas facas
que por vingança
mais espetamos
nos nossos corpos
assim esfaqueados nos amamos
sabendo embora
que a morte é para breve
III
a carriça julgou
que era dia e cantou
(era tal o luar!)
mas a coruja
embrulhada em seu manto
piou lá do seu canto
e a noite ficou.
In “O Sabor das Amoras”
Edição do autor
Lucinda Araújo
(N.1925)
Portugal
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