O CORAÇÃO E A BALANÇA
Ouvi dizer que em nós o mar futuro
é de cristal puro e não lavrado:
Cumpre assim caminhar ligeiro no ar,
a terra do ar ver e amar.
Harmonia desejada e louvada,
agora cantada nas esferas celestes;
antes na terra tão cobiçada
e nela tão mal realizada.
Iluminada pela aragem do infinito
e mostrando ainda as pegadas
do Anjo revelador,
- e eis o santo país das estrelas!
E me admites à tua presença,
e ao sumo mistério;
alegre nos lagares da dor
onde se esmaga o coração dos homens.
Pois é com factos e não com ideias
que se fazem as lágrimas.
Ao alto me acolhes: na mão esquerda
a balança, na direita meu coração.
A Justiça ao amor fazendo jus.
Eu digo: na Primavera, moitas
de rosas brancas olorosas
se constroem à beira de negros abismos.
In “O Novo Argonauta”
Fundação Lusíada
Dalila Pereira da Costa
(1918-2012)
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