Quarta-feira, 31 de Julho de 2019

Recordando... Diana Guerra

FERIDA CRÓNICA DO AMOR

 

Que dói ao deixar de existir

Como quem tenta resistir,

Ateima, ao rarear da sua existência,

Mostrando a tendência.

Ferida que se abre dia após dia

Lembrando-nos que o sentimento é dependente.

Aleija-nos, ao beijar a face rosada

Como uma dentada.

Desdém, sabor sentido

por quem sabe o que é o amor.

Amar é ganhar onde se perde,

É perder sem arrependimento,

É incendiar a face pálida na hora da despedida.

 

In "A Essência do Amor"

Obra Colectiva de Poesia - Vol. 3

Edições Vieira da Silva

 

Diana Guerra

(N.1989)

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Quinta-feira, 25 de Julho de 2019

Recordando... Dom Dinis

NON POSSO EU, MEU AMIGO

 

- Non posso eu, meu amigo,

con vossa soidade

viver, ben vo-lo digo;

e por esto morade,

amigo, u mi possades

falar e me vejades.

 

Non posso u vos non vejo

viver, ben o creede,

tan muito vos desejo;

e por esto vivede,

amigo, u mi possades

falar e me vejades.

 

Nasci em forte ponto;

e, amigo, partide

o meu gran mal sen conto,

e por esto guaride,

amigo, u mi possades

falar e me vejades.

 

- Guarrei, ben o creades,

senhor, u me mandades.

 

(Mantém a grafia de origem)

 

In "Cancioneiro da Vaticana"

 

Dom Dinis

(1261-1325) 

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Sexta-feira, 19 de Julho de 2019

Recordando... Casimiro de Brito

ADORMECER

 

Adormecer

assim: inclinado

sobre um rio

em repouso.

A mão esquerda

caída em palma

no crânio; a boca

no ombro no aroma

da pele; o joelho

e a mão direita

na coxa no canteiro ainda

molhado. Acordar assim: ouvir

o breve adágio do corpo amado

a respiração pouco a pouco mais tumultuosa

sob os lençóis subitamente visitados

pelo sol da manhã.

 

In “69 Poemas de Amor”

4Águas Editora, Tavira 2008

 

Casimiro de Brito

(N.1938)

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Sábado, 13 de Julho de 2019

Recordando... António Botto

É DIFÍCIL NA VIDA...

 

É difícil na vida achar alguém

Que seja na verdade um grande amigo;

E se assim penso - e com tristeza o digo,

É porque o sei, talvez, como ninguém.

 

Se a amizade é um bem - e se esse bem

Traz o conforto de um divino abrigo,

Por mim, direi que nunca mais consigo

Iludir-me nas graças que ele tem.

 

Afectos, sacrifícios, lealdade!

Tudo se apaga ou fica na memória

Se a ilusão dá lugar á realidade.

 

E ai daqueles que pensam na excepção;

Acabam por ficar dentro da história

De que a vida é um sonho e uma traição.

 

In “Líricas Portuguesas” - I Volume

Selecção, Prefácios e apresentação de Jorge de Sena

Edições 70 -1984

 

António Botto

(1897-1959)

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Domingo, 7 de Julho de 2019

Recordando... Cândida Ayres de Magalhães

TREVA LUMINOSA

 

Ó minha quási Mãe, é neste instante

que parte para a vida o meu livrinho;

vai pela mão, vai confiante,

não tem mêdo ao caminho.

E eu beijo, fervorosa,

a doce mão que, sendo pequenina,

é forte e gloriosa;

e ajoelho ante a alma peregrina

que, em dor crucificada, em dor suprema,

da sua própria treva ainda ilumina,

com palavras de luz, o meu poema;

e, assim, ó alma grande e generosa,

alma egrégia e divina,

a tua treva é… treva luminosa.

 

In “Trevas Luminosas”

Portugália Editora - 1919

 

Cândida Ayres de Magalhães

(1875-1964)

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Segunda-feira, 1 de Julho de 2019

Recordando... Alfredo Brochado

CIÚME

 

Vão decorrendo as horas, vão-se os dias,

Mas como outrora ela não vem. Ciúme?

Olho em redor de mim, meu pobre lume,

São tudo cinzas mortas, cinzas frias.

 

Bateu o relógio as horas do costume,

E tu não vens, já não te vejo mais...

Dos nossos dias, vivos, triunfais,

Só restam coisas mortas e sombrias.

 

Não sei que mágoa e dor meus olhos cobre.

Sinto que alguém morreu dentro de mim.

Bate o relógio as horas, como um dobre,

A dizer, a dizer: tudo tem fim.

 

Vai a tarde a morrer, e um frio imenso

Cai sobre mim como um Pólo de gelo.

Junto de ti, quem estará, eu penso,

A beijar, em silêncio, o teu cabelo?

 

Nessas tardes, assim, vagas, sensuais,

Eu não quero pensar um só momento.

Se foram minhas, hoje são dos mais...

Deixo-as morrer no frio esquecimento.

 

"Bosque Sagrado"

 

In “Obra Poética de Alfredo Brochado”

Lello Editores

 

Alfredo Brochado

(1897-1949)

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