Domingo, 30 de Setembro de 2018

Recordando... Cristovam Pavia

CANÇÃO QUALQUER

 

A linda e frágil

Andorinha caída

Ficou na canção aflorada

Como o amor na minha vida ...

E a breve e flébil

Canção que veio aos lábios,

A tarde mal a susteve,

A brisa a levou sem mágoa...

 

In “ÁRVORE ”

Folhas de Poesia

Direcção e Edição de António Luís Moita, António Ramos Rosa, José Terra, Luís Amaro, Raul de Carvalho

1.º Fascículo - Outono de 1951

Pág. 17

 

Cristovam Pavia **

(1933-1968)

 

** Pseudónimo de Francisco António Lahmeyer Flores

publicado por cateespero às 00:00
link do post | Deixe seu comentário | favorito
Terça-feira, 25 de Setembro de 2018

Recordando... Francisco Bugalho

NOITE

 

Na noite negra, pérfida e calada,

Alguém passa a cantar à minha porta;

É uma voz estridente, desgarrada

Que assim se vai perdendo pela estrada

E em que há todo o pavor da noite morta.

 

Um arrepio dessa voz, que tem

Um medo heróico à própria solidão,

Comunica-se e vem

Fazer tremer involuntariamente,

Sobre o livro que leio, a minha mão.

Depois vai-se fundindo, em sons dispersos,

Na noite surda, pérfida e calada…

 

Foi do pavor de seguir só na estrada

Que nasceram também estes meus versos.

 

Canções de entre Céu e Terra (1940)

 

In “Obra Completa de Francisco Bugalho”

Organização de Luís Manuel Gaspar, João Filipe Bugalho, Maria Jorge, Luís Amaro e Diana Pimentel

Prefácio de Joana Varela

Editora LG

 

Francisco Bugalho

(1905-1949)

publicado por cateespero às 00:00
link do post | Deixe seu comentário | favorito
Quarta-feira, 19 de Setembro de 2018

Recordando... Carlos Eurico da Costa

ESTA DÚVIDA ATROZ ANTIQUÍSSIMA E ALEGRE

 

Esta dúvida atroz antiquíssima e alegre

dum mito longínquo inaceitável e verdadeiro

– a costureira pretendendo viver em Nova York

revoltada do contraste idêntico

ao da metafísica vulgo a fera-feroz

com a filosofia de Erasmo O Sábio na Sombra

 

Se bem que este axioma

seja idêntico à relação inversa

que levou Einstein ao encontro único com Platão

num ponto desconhecido do Universo

 

teremos:

primeiro – a deformação geométrica do triângulo

segundo – o homem despersonificado e morto

 

In “Sete poemas de solenidade e um requiem"

Edições Árvore

 

Carlos Eurico da Costa

(1928-1998)

publicado por cateespero às 00:00
link do post | Deixe seu comentário | favorito
Quinta-feira, 13 de Setembro de 2018

Recordando... Alberto de Oliveira

O MAR AGITA-SE, COMO UM ALUCINADO

 

O Mar agita-se, como um alucinado:

A sua espuma aflui, baba da sua Dor...

Posto o escafandro, com um passo cadenciado,

Desce ao fundo do Oceano algum mergulhador.

 

Dá-lhe um aspecto estranho a campânula imensa:

Lembra um bizarro Deus de algum pagode indiano:

Na cólera do Mar, pesa a sua Indiferença

Que o torna superior, e faz mesquinho o Oceano!

 

E em vão as ondas se lhe enroscam à cabeça:

Ele desce orgulhoso, impassível, sem pressa,

Com suprema altivez, com ironias calmas:

 

Assim devemos nós, Poetas, no Mundo entrar,

Sem nos deixarmos absorver por esse Mar

– Pois a Arte é, para nós, o escafandro das Almas!

 

In "Bíblia do Sonho - Pores-de-Sol"

 

Alberto de Oliveira

(1873-1940)

publicado por cateespero às 00:00
link do post | Deixe seu comentário | favorito
Sexta-feira, 7 de Setembro de 2018

Recordando... Beatriz Beirão

DIA DE SOL

 

Vem, meu amor! Que dia tão bonito!

Iremos passear, se tu quiseres.

Parecem de ouro vivo os malmequeres,

Sob este sol, procriador, bendito!

 

Nem uma nuvem tolda o infinito!

Que riquezas sem par nos mostra Ceres!

Não te demores, meu amor, se queres,

Dar o passeio que hoje premedito.

 

Vem ver comigo as rosas dos valados,

As abelhas doiradas pelos prados,

E as borboletas volitando à toa!

 

Vê como o vento ondula os milharais...

Tanta florinha azul pelos trigais...

– Como eu te quero! E como a vida é boa!

 

In “Livro de Amor”

Livraria Editora Guimarães & Cª - 1924

 

Beatriz Beirão

(1891-1975)

publicado por cateespero às 00:00
link do post | Deixe seu comentário | favorito
Sábado, 1 de Setembro de 2018

Recordando... Afonso Lopes Vieira

CANTARES DOS BÚZIOS

 

Nunca como em Veneza

Adoro a nossa pobreza

Portuguesa;

As nossas casas caiadas,

As nossas praias salgadas,

Os burricos berberes,

E na Batalha de pedras douradas

A saia pela cabeça das mulheres.

 

Ó Veneza oriental,

Marítimo tesouro

De púrpura, de mármores e de ouro:

- Em Portugal

Rico só é o céu que nos lá cobre.

 

Portugal teve o Mundo - e ficou pobre.

 

In “Cem Poemas Portugueses sobre Portugal e o Mar”

Selecção, organização e introdução de José Fanha e José Jorge Letria

Editora Terramar

 

Afonso Lopes Vieira

(1878-1946)

publicado por cateespero às 00:00
link do post | Deixe seu comentário | favorito

.Eu

.pesquisar

 

.Dezembro 2018

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

.Visitas desde Agosto.2008


contador de visitas gratis

.Ano XII

.Estão neste momento...

.posts recentes

. Recordando... Luís Amaro

. Recordando... Fernando Ca...

. Recordando... Maria Helen...

. Recordando... Marcolino C...

. Recordando... Daniel Fari...

. Recordando... Américo Cor...

. Recordando... José Sarama...

. Recordando... Cesário Ver...

. Recordando... Alexandre O...

. Recordando... João José C...

.arquivos

. Dezembro 2018

. Novembro 2018

. Outubro 2018

. Setembro 2018

. Agosto 2018

. Julho 2018

. Junho 2018

. Maio 2018

. Abril 2018

. Março 2018

. Fevereiro 2018

. Janeiro 2018

. Dezembro 2017

. Novembro 2017

. Outubro 2017

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

.tags

. todas as tags

blogs SAPO

.subscrever feeds