SONHEI CONTIGO
Sonhei contigo embora nenhum sonho
possa ter habitantes tu, a quem chamo
amor, cada ano pudesse trazer
um pouco mais de convicção a
esta palavra. É verdade o sonho
poderá ter feito com que, nesta
rarefacção de ambos, a tua presença se
impusesse - como se cada gesto
do poema te restituísse um corpo
que sinto ao dizer o teu nome,
confundindo os teus
lábios com o rebordo desta chávena
de café já frio. Então, bebo-o
de um trago o mesmo se pode fazer
ao amor, quando entre mim e ti
se instalou todo este espaço -
terra, água, nuvens, rios e
o lago obscuro do tempo
que o inverno rouba à transparência
da fontes. É isto, porém, que
faz com que a solidão não seja mais
do que um lugar comum saber
que existes, aí, e estar contigo
mesmo que só o silêncio me
responda quando, uma vez mais
te chamo.
In “Poesia Reunida 1967-2000”
Publicações D. Quixote
Nuno Júdice
N. 1949
. Mais poesia em
. Eu li...
. Recordando... Carlos Mace...
. Recordando... Alexandra M...
. Recordando... José Luís O...
. Recordando... Jorge Gomes...
. Recordando... João Apolin...
. Recordando... Firmino Men...
. Recordando... Domingos do...
. Recordando... Almeida Gar...
. Recordando... António Sar...
. Recordando... Afonso Simõ...