Domingo, 12 de Julho de 2009

Recordando... José Régio... Poeta do Séc. XX

IGNOTO DEO

 

Desisti de saber qual é o Teu nome,
Se tens ou não tens nome que Te demos,
Ou que rosto é que toma, se algum tome,
Teu sopro tão além de quanto vemos.

 

Desisti de Te amar, por mais que a fome
Do Teu amor nos seja o mais que temos,
E empenhei-me em domar, nem que os não dome,
Meus, por Ti, passionais e vãos extremos.

 

Chamar-Te amante ou pai... grotesco engano
Que por demais tresanda a gosto humano!
Grotesco engano o dar-te forma! E enfim,

 

Desisti de Te achar no quer que seja,
De Te dar nome, rosto, culto, ou igreja...
– Tu é que não desistirás de mim!

 

 

Biografia – 1929

 

In “Ler Por Gosto”

Areal Editores

 

José Régio

1901 – 1969

 

 

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Sexta-feira, 7 de Março de 2008

Recordando... Poetas Séc. XX (3)... José Régio

CANTAR DE AMIGO

 

 

À beira do rio fui dançar... Dançando

Me estava entretendo,

Muito a sós comigo,

Quando na outra margem, como se escondendo

Para que eu não visse que me estava olhando,

Por entre os salgueiros vi o meu amigo.

 

Vi o meu amigo cujos olhos tristes

Certo se alegravam

De me ver dançar.

Fui largando as roupas que me embaraçavam,

Fui soltando as tranças... Olhos que me vistes,

Doces olhos tristes, não no ireis contar!

Que o amor é lume bem eu o sei... que logo

Que vi meu amigo

Por entre os salgueiros,

Melhor eu dançava, já não só comigo

Toda num quebranto, ao mesmo tempo em fogo,

Melhor eu movia mãos e pés ligeiros.

 

Que Deus me perdoe, que aos seus olhos tristes

Assim ofertava

Minha formosura!

Se não fora o rio que nos separava,

Cruel com nós ambos, olhos que me vistes,

Nem eu me amostrara tão de mim segura...

 

In “Música Ligeira”

 

José Régio,

1901 – 1969

 

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Segunda-feira, 20 de Agosto de 2007

Recordando... José Régio

EM CIMA DA MINHA MESA

 

Em cima da minha mesa,
Da minha mesa de estudo,
Mesa da minha tristeza
Em que, de noite e de dia,
Rasgo as folhas, leio tudo
Destes livros em que estudo,
E me estudo
 (Eu já me estudo)
E me estudo,
A mim,
Também,
Em cima da minha mesa,
Tenho o teu retrato, Mãe!

 

À cabeceira do leito,
Dentro dum lindo caixilho,
Tenho uma Nossa Senhora
Que venero a toda a hora...
Ai minha Nossa Senhora,
Que se parece contigo,
E que tem, ao peito,
Um filho
(O que é ainda mais estranho)
Que se parece comigo,
Num retratinho,
Que tenho,
De menino pequenino...!
No fundo da minha mala,
Mesmo lá no fundo, a um canto
Não lhes vá tocar alguém,
(Quem as lesse, o que entendia?
Só riria
Do que nos comove a nós...)
Já tenho três maços, Mãe,
Das cartas que tu me escreves
Desde que saí de casa...
Três maços – e nada leves! –
Atados com um retrós...

Se não fora eu ter-te assim,
A toda a hora,
Sempre à beirinha de mim,
(Sei agora
Que isto de a gente ser grande
Não é como se nos pinta...)
Mãe!, já teria morrido,
Ou já teria fugido,
Ou já teria bebido
Algum tinteiro de tinta!

 

IN "As Encruzilhadas de Deus"

José Régio

1901 – 1969

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