Sábado, 25 de Novembro de 2017

Recordando... Glória de Sant'Anna

AFIRMAÇÃO

 

A essência das coisas é senti-las

tão densas e tão claras,

que não possam conter-se por completo

nas palavras.

 

A essência das coisas é nutri-las

tão de alegria e mágoa,

que o silêncio se ajuste à sua forma

sem mais nada.

 

In “Um Denso Azul Silêncio”

 

Glória de Sant'Anna  

(1925-2009)

publicado por cateespero às 00:00
link do post | Deixe seu comentário | favorito
Domingo, 19 de Novembro de 2017

Recordando... Carlos de Oliveira

CARTA A ÂNGELA

 

Para ti, meu amor, é cada sonho

de todas as palavras que escrever,

cada imagem de luz e de futuro,

cada dia dos dias que viver.

 

Os abismos das coisas, quem os nega,

se em nós abertos inda em nós persistem?

Quantas vezes os versos que te dou

na água dos teus olhos é que existem!

 

Quantas vezes chorando te alcancei

e em lágrimas de sombra nos perdemos!

As mesmas que contigo regressei

ao ritmo da vida que escolhemos!

 

Mais humana da terra dos caminhos

e mais certa, dos erros cometidos,

foste de novo, e sempre, a mão da esperança

nos meus versos errantes e perdidos.

 

Transpondo os versos vieste à minha vida

e um rio abriu-se onde era areia e dor.

Porque chegaste à hora prometida

aqui te deixo tudo, meu amor!

 

In “Trabalho Poético”

Assírio & Alvim

 

Carlos de Oliveira

(1921-1981)

publicado por cateespero às 00:00
link do post | Deixe seu comentário | favorito
Segunda-feira, 13 de Novembro de 2017

Recordando... Américo Cortês Pinto

O FESTIM

 

Uns atrás de outros, impertinentes,

(Que estranho mundo de fantasmas tão dif'rentes!)

Ei-los que surgem aos encontrões

No perturbado Mundo Interior...

Uns a puxar por mim aos repelões,

Outros suaves e alicientes

Com falsos gestos de amor...

 

Uns severos, irados,

Desvairados,

Outros grotescos, histriónicos...

E os mais trágicos de todos – quem diria! –

Os fantasmas irónicos

Da Alegria...

 

Insinuam-se gentis,

Com doces falas, música nos gestos,

Promessas de oiro, subtis,

E o riso

De quem traz dentro das mãos o Paraíso

E é só pedi-lo que é pra nós também...

 

Ah! Como são amigos! Quem não há-de

Abrir tranquilo a porta...

Sentá-los à sua mesa!

Beber o vinho ácido às canecas

E entorná-lo perfumado

Com manchas de rubim sobre as toalhas!...

E olhar as nódoas sobre o linho,

A sorrir,

Sem saber distinguir

Se é sangue ou vinho!

 

Quebrar as taças e julgar que o ruído

Das lágrimas cortantes das estilhas

São risos claros de cristal...

 

E coroar a fronte no banquete

Com as coroas de rosas que nos dão,

Sem perceber que as rosas caem, ficam espinhos...

E à saída

Acompanhá-los pelas ruas, a cantar,

E deixar-se arrastar

Indefeso e sozinho,

Como se fosse, ao cabo do caminho,

Ali mesmo o Céu aberto...

 

E agradecer-lhes iludido

Ao vê-los construir pra nosso bem

As fantásticas miragens do Deserto...

 

E ao acordar, ver-se perdido,

No árido isolamento

Do intérmino areal...

 

A miragem desfeita como um fumo!...

E pra o regresso ao lar,

Um céu sem Sol nem Estrela Polar...

 

Uma bússola doida!...

 

E um chão de areia, sem rumo!...

 

E partir, e sofrer,

E ao cabo, enfim,

Chegar

Exausto, ao lar...

E não ver mais que os restos do festim...

 

O pão alvo, espezinhado...

A golpear-nos as mãos, taças partidas...

As bilhas entornadas no sobrado...

Cinzas no chão! Lume apagado...

As flores emurchecidas...

 

O doce leite derramado e agre...

E em vez de mel:

– Favos de cera e fel

E o vinho nos cristais trocado por vinagre!

 

E através das janelas e dos vidros partidos

Da nossa alma,

Sentir numa agonia,

A sacudir-nos, a risada dos fantasmas

Cruel e fria.

 

In “A Alma e o Deserto”

Portugália Editora

 

Américo Cortês Pinto

(1896-1979)

publicado por cateespero às 00:57
link do post | Deixe seu comentário | favorito
Terça-feira, 7 de Novembro de 2017

Recordando... Vítor Nogueira

SE TUDO ACONTECER COMO PREVISTO

 

Se tudo acontecer como previsto,

o Senhor Gouveia acordará

um pouco antes do almoço, mesmo a tempo

de descer as escadas e esperar pelo carteiro.

Se acaso receber correspondência,

há-de tirar o chapéu a uma senhora.

Se não lhe chegar nenhuma carta,

fará exactamente a mesma coisa.

Na vida como na escrita, o Senhor Gouveia

utiliza sempre a mesma rima. Os seus gestos

são alexandrinos medidos ao milímetro,

coisas dificilmente publicáveis

já em meados da década de cinquenta,

quando pela primeira vez tirou o chapéu

a uma senhora

 

(e nunca mais lho devolveu).

 

In "Senhor Gouveia"

Averno - 2006

 

Vítor Nogueira

(N.1966)

publicado por cateespero às 00:00
link do post | Deixe seu comentário | favorito
Quarta-feira, 1 de Novembro de 2017

Recordando... Ana Luísa Amaral

ANIVERSÁRIO

 

Será comovedor os quatro anos

e a festa colorida

as velas mal sopradas entre um rissol

no chão e os parabéns:

quatro anos de vida.

Serão comovedores os sumos de

laranja concentrados (proporções

por defeito) e os gostos tão

diversos, o bolo de ananás,

os pés inchados.

Será soberbamente comovente

toda a gente cantando,

o mau comportamento dos adultos

conversas-gelatinas e os anos

só pretexto.

Mas eu gostei. E contra mim gostei

mesmo no resto:

este prazer pequeno do silêncio

um sapato apertando descalçado

guardanapo e rissol por arrumar

no chão e um copo

olhando o nada

em restos de champanhe

 

(Minha Senhora de Quê)

 

In “Inversos – Poesias 1990 – 2010”

Publicações Dom Quixote

 

Ana Luísa Amaral

(N. 1956)

publicado por cateespero às 00:00
link do post | Deixe seu comentário | favorito
Terça-feira, 31 de Outubro de 2017

Recordando... Guerra Junqueiro

A LÁGRIMA

 

Manhã de Junho ardente. Uma encosta escavada,  
Seca, deserta e nua, à beira duma estrada.  

 

Terra ingrata, onde a urze a custo desabrocha,  
Bebendo o sol, comendo o pó, mordendo a rocha.  

 

Sobre uma folha hostil duma figueira brava,  
Mendiga que se nutre a pedregulho e lava, 

 

A aurora desprendeu, compassiva e divina, 
Uma lágrima etérea, enorme e cristalina. 

 

Lágrima tão ideal, tão límpida que, ao vê-la,  
De perto era um diamante e de longe uma estrela.  

 

Passa um rei com o seu cortejo de espavento,  
Elmos, lanças, clarins, trinta pendões ao vento.  

 

- «No seu diadema, disse o rei, quedando a olhar, 
Há safiras sem conta e brilhantes sem par. 

 

«Há rubis orientais, sangrentos e doirados,  
Como beijos d'amor, a arder, cristalizados.  

 

«Há pérolas que são gotas de mágoa imensa,  
Que a lua chora e verte, e o mar gela e condensa.  

 

«Pois, brilhantes, rubis e pérolas de Ofir 
Tudo isso eu dou, e vem, ó lágrima, fulgir 

 

«Nesta c'roa orgulhosa, olímpica, suprema,  
Vendo o Globo a meus pés do alto do teu diadema!» 

 

E a lágrima celeste, ingénua e luminosa,  
Ouviu, sorriu, tremeu, e quedou silenciosa. 

 

Couraçado de ferro, épico e deslumbrante,  
Passa no seu ginete um cavaleiro andante.  

 

E o cavaleiro diz à lágrima irisada:  
«Vem brilhar, por Jesus, na cruz da minha espada!  

 

«Far-te-ei relampejar, de vitória em vitória,  
Na Terra Santa, à luz da Fé, ao sol da Glória!  

 

«E à volta há-de guardar-te a minha noiva, ó astro,  
Em seu colo auroreal de rosa e de alabastro.  

 

«E assim alumiarás com teu vivo esplendor 
Mil combates de heróis e mil sonhos d'amor!» 

 

E a lágrima celeste, ingénua e luminosa,   
Ouviu, sorriu, tremeu e quedou silenciosa.  

 

Montado numa mula escura, de caminho,  
Passa um velho judeu, avarento e mesquinho.  

 

Mulas de carga atrás levavam-lhe o tesoiro:  
Grandes arcas de cedro, abarrotadas d’oiro.  

 

E o velhinho andrajoso e magro como um junco,  
O crânio calvo, o olhar febril, o bico adunco,  

 

Vendo a estrela, exclamou: «Oh Deus, que maravilha!  
Como ela resplandece e tremeluz e brilha!  

 

«Com meu oiro em montão podiam-se comprar 
Os impérios dos reis e os navios do mar.  

 

E por esse diamante esplêndido trocara 
Todo o meu oiro imenso a minha mão avara!»  

 

E a lágrima celeste, ingénua e luminosa,  
Ouviu, sorriu, tremeu, e quedou silenciosa.  

 

Debaixo da figueira então um cardo agreste, 
Já ressequido, disse à lágrima celeste: 

 

«A terra onde o lilás e a balsamina medra 
Para mim teve sempre um coração de pedra.  

 

«Se, a queixar-me, ergo ao céu os braços por acaso,  
O céu manda-me em paga o fogo em que me abraso.  

 

«Nunca junto de mim, ulcerado de espinhos,  
Ouvi trinar, gorjear a música dos ninhos.  

 

«Nunca junto de mim ranchos de namoradas 
Debandaram, cantando, em noites estreladas... 

 

«Voa a ave no azul e passa longe o amor,  
Porque ai, nunca dei sombra e nunca tive flor!... 

 

Ó lágrima de Deus, ó astro, ó gota d’água,  
Cai na desolação desta infinita mágoa!»  

 

E a lágrima celeste, ingénua e luminosa,  
Tremeu, tremeu, tremeu... e caiu silenciosa!... 

 

E algum tempo depois o triste cardo exangue,  
Reverdecendo, dava uma flor cor de sangue, 

 

Dum roxo macerado e dorido e desfeito, 
Como as chagas que tem Nosso Senhor no peito... 

 

E ao cálix virginal da pobre flor vermelha 
Ia buscar, zumbindo, o mel doirado a abelha!...

           

[25 de Março de 1888]  

                                                                                       

In "Poesias Dispersas"

Edições Vercial (2013)

 

Guerra Junqueiro

(1850-1923)

publicado por cateespero às 00:00
link do post | Deixe seu comentário | favorito
Quarta-feira, 25 de Outubro de 2017

Recordando... Fernando Echavarria

VÉNUS

 

Sublevava-se no verbo uma brancura

onde sucumbem subtis

trampolins de alvaiade com que a espuma

se exalta na penumbra e nos quadris.

 

E impugna o púbis. O assusta quase

no aperto da sua timidez

batida pelo mar feliz da frase

que se ergue do triunfo do que fez

 

com Vénus firme a resistir ao meio

da onda aonde se debate a trança.

E onde o desafio do seu seio

 

emerge, enquanto o justo ritmo avança

na só brancura duma espuma escrita

que ambas instrui e que uma só visita.

 

In "Uso da Penumbra"

 

Fernando Echavarria

(1929-2015)

publicado por cateespero às 00:00
link do post | Deixe seu comentário | favorito
Quinta-feira, 19 de Outubro de 2017

Recordando... António de Sousa

FADO DO NAVEGANTE

 

Meu lugre "Vento de Maio",

todo pintado de azul,

comprei-o nos mares do Sul

a um pirata malaio.

 

Lá onde o céu é maior

trafiquei pérola e copra;

a todo o vento que sopra

soube o caminho de cor.

 

Um dia, não sei porquê,

(frágeis que são as memórias...)

fiz-me a águas hiperbóreas

a vr o que lá se vê.

 

No meu regresso do Polo

trouxe uns sorrisos de gelo,

esta neve no cabelo

e duas focas ao colo...

 

Cheguei inteiro a Lisboa,

mas ninguém me conheceu!

Por isso pintei de breu

a minha vela de proa.

 

Triste, vendi o navio;

só uma corda guardei.

Os nós que dei e desdei

até que ficou no fio!

 

o saber verdadeiro

e o gosto do mar amigo

vão para a morte comigo

no meu secreto roteiro.

 

In “Sete Luas”

Edição de 200 exemplares

da Tipografia da Atlântida, 1943

 

António de Sousa

(1898-1981)

publicado por cateespero às 00:00
link do post | Deixe seu comentário | favorito
Sexta-feira, 13 de Outubro de 2017

Recordando... Agostinho da Silva

QUERIA QUE OS PORTUGUESES

 

Queria que os portugueses

tivessem senso de humor

e não vissem como génio

todo aquele que é doutor

 

sobretudo se é o próprio

que se afirma como tal

só porque sabendo ler

o que lê entende mal

 

todos os que são formados

deviam ter que fazer

exame de analfabeto

para provar que sem ler

 

teriam sido capazes

de constituir cultura

por tudo que a vida ensina

e mais do que livro dura

 

e tem certeza de sol

mesmo que a noite se instale

visto que ser-se o que se é

muito mais que saber vale

 

até para aproveitar-se

das dúvidas da razão

que a si própria se devia

olhar pura opinião

 

que hoje é uma manhã outra

e talvez depois terceira

sendo que o mundo sucede

sempre de nova maneira

 

alfabetizar cuidado

não me ponham tudo em culto

dos que não citar francês

consideram puro insulto

 

se a nação analfabeta

derrubou filosofia

e no jeito aristotélico

o que certo parecia

 

deixem-na ser o que seja

em todo o tempo futuro

talvez encontre sozinha

o mais além que procuro.

 

In “Poemas”

 

Agostinho da Silva

(1906-1994)

publicado por cateespero às 00:00
link do post | Deixe seu comentário | favorito
Sábado, 7 de Outubro de 2017

Recordando... Vitorino Nemésio

FUI HOJE À CAIXA, MARGA

 

Fui hoje à Caixa, Marga, receber

A pensão de reforma.

Coxo e doido, Marga. Muito!

Duro é ser velho, e, então, de ossos a arder?

A minha tíbia engole facas.

Fui hoje à Caixa receber

O troco das pernas fracas.

E lembrei-me de ti, que eras habituée

Lá pela ordem dos trinta, dos cinquenta milhões.

Da formiga à cigarra:

(Iguais ocasiões)

- Que faisiez vous aux temps chaux,

Dit-elle à cette emprunteuse.

Lembrei-me de ti com La Fontaine,

Cigarra, claro, chanteuse.

Formiga fora uma aubaine.

Marga, é tão triste o dinheiro!

Até já o ganhas, como eu,

E andaste coxa, cheia de dores

Tu que o atiravas aos punhados

Como em batalha de flores

Estás como os reformados

À espera dos directores

Mas como ainda és bonita

E há sempre um, pronto aos favores,

Vê bem o que ele te debita

Que descontos te faz

Ê provável que insista

Sabendo-te "petite amie" de um pobre pensionista

A menina bem sabe que há certas coisas que nem mesmo um aperto

(Ai, a minha peminha!)

Comucópia - corno coxo.

 

In "Caderno de Caligraphia e outros poemas a Marga"

IN-CM - Imprensa Nacional-Casa da Moeda

 

Vitorino Nemésio

(1901-1978)

publicado por cateespero às 00:00
link do post | Deixe seu comentário | favorito

.Eu

.pesquisar

 

.Novembro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
14
15
16
17
18
20
21
22
23
24
26
27
28
29
30

.Visitas desde Agosto.2008


contador de visitas gratis

.Ano XI

.Estão neste momento...

.posts recentes

. Recordando... Glória de S...

. Recordando... Carlos de O...

. Recordando... Américo Cor...

. Recordando... Vítor Nogue...

. Recordando... Ana Luísa A...

. Recordando... Guerra Junq...

. Recordando... Fernando Ec...

. Recordando... António de ...

. Recordando... Agostinho d...

. Recordando... Vitorino Ne...

.arquivos

. Novembro 2017

. Outubro 2017

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

.tags

. todas as tags

blogs SAPO

.subscrever feeds