Quarta-feira, 13 de Setembro de 2017

Recordando... Pedro Homem de Mello

FONTE

 

Meu amor diz-me o teu nome

- Nome que desaprendi...

Diz-me apenas o teu nome.

Nada mais quero de ti.

Diz-me apenas se em teus olhos

Minhas lágrimas não vi,

Se era noite nos teus olhos,

Só porque passei por ti!

Depois, calaram-se os versos

- Versos que desaprendi...

E nasceram outros versos

Que me afastaram de ti.

Meu amor, diz-me o teu nome.

Alumia o meu ouvido.

Diz-me apenas o teu nome,

Antes que eu rasgue estes versos,

Como quem rasga um vestido!

 

In "Poemas escolhidos"

INCM - Imprensa Nacional-Casa da Moeda

 

Pedro Homem de Mello

(1904-1984)

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Quarta-feira, 13 de Janeiro de 2016

Recordando... Pedro Homem de Mello

WESTMINSTER

 

Westminster - catedral fria

Como todas as igrejas protestantes,

Onde um relógio avalia

Pelas horas os instantes.

 

Em redor falta-me tudo

Que inspire a nossa oração.

Corpo de pedra desnudo?

Os olhos cobrem-no em vão!

 

Como dobrar o joelho?

Tanta imagem sem altar!

E quanto cravo vermelho

Ficará por desfolhar!

 

Rezarei?

Logo se esquiva

Minha alma

A ir para a frente...

 

Debaixo de cada ogiva,

Falta-me o chão,

De repente!

 

In “Cartas de Inglaterra”

Lello & Irmão Editores

 

Pedro Homem de Mello

(1904-1984)

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Sexta-feira, 25 de Julho de 2014

Recordando... Pedro Homem de Mello

NOSTALGIA

 

Tinha saudades do fato

De hora a hora, roto e sujo,

A que esse andar de marujo

Dava jeitos de retrato.

De certos modos grosseiros

E bruscos, tinha saudade

E daqueles companheiros

Rudes, maus, mas verdadeiros

Como a sua mocidade.

Saudades do tempo incerto

Sem livros, sem oficina.

Em que o mundo era uma esquina

Hoje longe, amanhã perto…

Daquela música triste

Que só da sombra nos chama…

Existe a paixão? Existe.

E há leitos de urze e de lama…

Olhos vítreos de cansaço?

Mão pesada? Negras unhas?

Mas que paz naquele abraço.

Noite alta, sem testemunhas!

 

In “Miserere” – 1948

Editora Portugália

 

Pedro Homem de Mello

1904 – 1984

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Sexta-feira, 31 de Agosto de 2012

Recordando... Pedro Homem de Mello

POVO

 

Povo que lavas no rio
Que vais às feiras e à tenda
Que talhas com teu machado
As tábuas do meu caixão,
Há-de haver quem te defenda,
Quem turve o teu ar sadio,
Quem compre o teu chão sagrado,
Mas a tua vida não!

 

Meu cravo branco na orelha!
Minha camélia vermelha!
Meu verde manjericão!
Ó natureza vadia!

Vejo uma fotografia...
Mas a tua vida, não!

Fui ter à mesa redonda,
Beber em malga que esconda
Um beijo, de mão em mão...
Água pura, fruto agreste,
Fora o vinho que me deste,
Mas a tua vida não!

 

Procissões de praia e monte,
Areais, píncaros, passos
Atrás dos quais os meus vão!
Que é dos cântaros da fonte?
Guardo o jeito desses braços...
Mas a tua vida, não!

 

Aromas de urze e de lama!
Dormi com eles na cama...
Tive a mesma condição.
Bruxas e lobas, estrelas!
Tive o dom de conhecê-las...
Mas a tua vida, não!

 

Subi às frias montanhas,
Pelas veredas estranhas
Onde os meus olhos estão.
Rasguei certo corpo ao meio...
Vi certa curva em teu seios...
Mas a tua vida, não!

 

Só tu! Só tu és verdade!
Quando o remorso me invade
E me leva à confissão...
Povo! Povo! eu te pertenço.
Deste-me alturas de incenso.
Mas a tua vida, não!

 

 

In “Miserere” – 1948

Editora Portugália

 

Pedro Homem de Mello

1904 – 1984

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Segunda-feira, 19 de Setembro de 2011

Recordando... Pedro Homem de Mello

HINO AO PORTO

 

Cidade em que as burguesas vão à missa
Vestidas de vermelho carmesim.
Em vão, a luz, sobre elas, se espreguiça...
(As mães, pelo caminho, ao vir da missa
Proíbem-lhes os bancos do jardim...)

Não há fidalgos hoje. Há comerciantes.
É deles todo o ar que se respira!
Noites sem flor, sem luz, sem estudantes
E sem guitarras e sem mentira!

Para sentir o mar, o rio eterno
Cava, connosco, a rocha que dormia
E deita-se connosco, na alegria
De imaginar o céu, calcando o inferno.

Na rua escura as lojas de oiro e pano
São pedras frias, frígidas mas quietas.
Ó frios mercadores de oiro e pano
Porto! Mercado frio e desumano...
E no entanto ali é que há Poetas!

Lutar! – é  o verbo. – Não  morrer – é a vida.
Mas em surgindo a morte, que na estrada
Os ombros verguem sob a urna pesada
E seja lenta a hora da partida!

Noites sem luz, sem mel, sem fantasia!
Noites sem estudantes e sem flor!
Porto! – cidade pulmonar e fria
Que tens a força de negar ao dia
A medicina do amor!


In “Bodas Vermelhas”

Porto Editora – 1979 – 3.ª  edição

 

Pedro Homem de Mello

1904 – 1984  

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Terça-feira, 21 de Setembro de 2010

Recordando... Pedro Homem de Mello

MIRAGAIA

 

Aqui, onde esta noite nunca cessa,
Foi Miragaia a minha Madragoa.
Aqui, em frente ao rio, oiço a promessa
Do mar que ajoelha, enquanto me atordoa.

Aqui, sei onde sangra o lábio oculto.
De quem me vê, até de olhos fechados!
E, como os cegos, reconheço um vulto,
Pelo roçar dos dedos namorados...

Deviam chamar Pedro, em vez de Porto,
Ao burgo, se é tal qual do meu tamanho!
Aqui

Nasci,
Porém nasci já morto,
Imóvel, surdo, triste, mudo, estranho...

Deu-me Deus ele, apenas, por amigo.
Deitamo-nos, cismando, lado a lado...

Seu corpo, rijo e nu, dorme comigo.
Mas fico, entre os seus braços, acordado!


In “Poesias Escolhidas”

Imprensa Nacional – Casa da Moeda

 

Pedro Homem de Mello

1904 – 1984

 

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