Quinta-feira, 25 de Dezembro de 2014

Recordando... Fernando Pessoa

NATAL

 

Nasce um deus. Outros morrem. A Verdade

Nem veiu nem se foi: o Erro mudou.

Temos agora uma outra Eternidade,

E era sempre melhor o que passou.

 

Cega, a Sciencia a inutil gleba lavra.

Louca, a Fé vive o sonho do seu culto.

Um novo deus é só uma palavra.

Não procures nem creias: tudo é oculto.

 

In “Contemporanea”

Director – José Pacheco

Redactor Principal – Oliveira Mouta

Editor – Agostinho Fernandes

Ano I – Volume II – Nº.6 Ano 1922

Pág. 88

 

Fernando Pessoa

1888 – 1935

 

Mantém a grafia original

 

 

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Domingo, 25 de Dezembro de 2011

Recordando... David Mourão-Ferreira

NATAL, E NÃO DEZEMBRO

 

Entremos, apressados, friorentos,

Numa gruta, no bojo de um navio,

Num presépio, num prédio, num presídio,

No prédio que amanhã for demolido...

Entremos, inseguros, mas entremos.

Entremos, e depressa, em qualquer sítio,

Porque esta noite chama-se Dezembro,

Porque sofremos, porque temos frio.

 

Entremos, dois a dois: somos duzentos,

Duzentos mil, doze milhões de nada.

Procuremos o rastro de uma casa,

A cave, a gruta, o sulco de uma nave...

Entremos, despojados, mas entremos.

De mãos dadas talvez o fogo nasça,

Talvez seja Natal e não Dezembro,

Talvez universal a consoada.    

 

 

In “Cancioneiro do Natal”

(Prémio Nacional de Poesia – 1971)

Edições Rolim – 1986

 

David Mourão-Ferreira

1927 – 1996

 

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Quarta-feira, 24 de Dezembro de 2008

Recordando... Poetas e o Natal... Castro Reis

 

NATAL URGENTE

 

São tantos os Natais que tenho escrito,

Mensagem de Natal p'ra toda a gente!

Que não posso conter este meu grito

De escrever mais este Natal Urgente!...

 

Sinto estalar-me o peito de amargura,

De tanta imagem triste de Natal!

Domina a violência e a loucura

Neste mundo terrível e brutal!...

 

Não há paz, só há guerra, fome e dor,

E os homens não se entendem afinal!

Campeia a morte, o medo e o terror,

Num cortejo de sangue crucial!...

 

O mundo não entende, por maldade,

Que o Natal é – Amor, Fraternidade,

Sempre e em todo o tempo, por igual!...

Que este Natal desperte bem profundo,

E deixem de existir por todo o mundo,

- Assassinos da Paz e do Natal!

 

 

 

Natal de 1992

 

In “Etéreas Sinfonias de Natal”

Edição do Autor

 

Castro Reis

1918 – 2007

 

 

 

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Sábado, 20 de Dezembro de 2008

Recordando... Poetas e o Natal... Miguel Torga

NATAL

 

Outro natal,

Outra comprida noite

De consoada

Fria,

Vazia,

Bonita só de ser imaginada.

 

Que fique dela, ao menos,

Mais um poema breve

Recitado

Pela neve

A cair, ao de leve,

No telhado.         

 

In “Antologia Poética”

 

Miguel Torga

1907 – 1995

 

 

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Terça-feira, 16 de Dezembro de 2008

Recordando... Poetas e o Natal... Reinaldo Ferreira

NATAL

 

Neste caminho cortado

Entre pureza e pecado

Que chamo vida,

Nesta vertigem de altura

Que me absorve e depura

De tanta queda caída,

É que Tu nasces ainda

Como nasceste

Do ventre da Tua mãe.

Bendita a Tua candura.

Bendita a minha também.

 

Mas se me perco e Te perco,

Quando me afogo no esterco

Do meu destino cumprido,

À hora em que Te rejeito

E sangra e dói no Teu peito

A chaga de eu ter esquecido,

É que Tu jazes por mim

Como jazeste

No colo da Tua mãe.

Bendita a Tua amargura

Bendita a minha também.

 

 

In "Livro III" – Poemas de Natal e da Paixão de Cristo

 

Reinaldo Ferreira

1922 – 1959

 

 

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Quinta-feira, 4 de Dezembro de 2008

Recordando... Poetas e o Natal... Sidónio Muralha

NATAL

 

Hoje é dia de Natal.

O jornal fala dos pobres

Em letras grandes e pretas,

Traz versos e historietas

E desenhos bonitinhos,

E traz retratos também

Dois bodos, bodos e bodos,

Em casa de gente bem.

 

Hoje é dia de Natal.

 

Mas quando será de todos?

 

 

In “Obras Completas do Poeta”

Universitária Editora

 

Sidónio Muralha

1920 – 1982  

 

 

 

 

 

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Terça-feira, 25 de Dezembro de 2007

Recordando... Poetas do Séc. XX (2)... Jorge de Sena

NATAL DE 1971

 

Natal de quê? De quem?

Daqueles que o não têm?

Dos que não são cristãos?

Ou de quem traz às costas

As cinzas de milhões?

Natal de paz agora

Nesta terra de sangue?

Natal de liberdade

Num mundo de oprimidos?

Natal de uma justiça

Roubada sempre a todos?

Natal de ser-se igual

Em ser-se concebido,

Em de um ventre nascer-se,

Em por de amor sofrer-se,

Em de morte morrer-se,

E de ser-se esquecido?

Natal de caridade,

Quando a fome ainda mata?

Natal de qual esperança

Num mundo todo bombas?

Natal de honesta fé,

Com gente que é traição,

Vil ódio, mesquinhez,

E até Natal de amor?

Natal de quê? De quem?

Daqueles que o não têm?

Ou dos que olhando ao longe

Sonham de humana vida

Um mundo que não há?

Ou dos que se torturam

E torturados são

Na crença de que os homens

Devem estender-se a mão?         

 

In “Exorcismos”

 

Jorge de Sena

1919 – 1978

 

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