Segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

Recordando... Natália Correia... Poetisa do Séc. XX

O SOL NAS NOITES E O LUAR NOS DIAS

 

De amor nada mais resta que um Outubro
e quanto mais amada mais desisto:
quanto mais tu me despes mais me cubro
e quanto mais me escondo mais me avisto.

E sei que mais te enleio e te deslumbro
porque se mais me ofusco mais existo.
Por dentro me ilumino, sol oculto,
por fora te ajoelho, corpo místico.

Não me acordes. Estou morta na quermesse
dos teus beijos. Etérea, a minha espécie
nem teus zelos amantes a demovem.

Mas quanto mais em nuvem me desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me jovem.

 

 

In “Poesia Completa”

Publicações Dom Quixote

 

Natália Correia

1923 – 1993

 

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Quarta-feira, 16 de Abril de 2008

Recordando... Poetisas Portuguesas (1)... Natália Correia

FIZ UM CONTO PARA ME EMBALAR

 

Fiz com as fadas uma aliança.

A deste conto nunca contar.

Mas como ainda sou criança

Quero a mim própria embalar.

 

Estavam na praia três donzelas

Como três laranjas num pomar.

Nenhuma sabia para qual delas

Cantava o príncipe do mar.

 

Rosas fatais, as três donzelas

A mão de espuma as desfolhou.

Nenhum soube para qual delas

O príncipe do mar cantou.

 

 

Natália Correia

1923 – 1993

 

 

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Segunda-feira, 12 de Novembro de 2007

Recordando... Poetas séc. XX (1)... Natália Correia

 

RETRATO TALVEZ SAUDOSO DA MENINA INSULAR

 

Tinha o tamanho da praia

o corpo era de areia.

Ele próprio era o início

do mar que o continuava.

Destino de água salgada

principiado na veia.

 

E quando as mãos se estenderam

a todo o seu comprimento

e quando os olhos desceram

a toda a sua fundura

teve o sinal que anuncia

o sonho da criatura.

 

Largou o sonho nos barcos

que dos seus dedos partiam

que dos seus dedos paisagens

países antecediam.

 

E quando o seu corpo se ergueu

voltado para o desengano

só ficou tranquilidade

na linha daquele além.

Guardada na claridade

do olhar que a retém.

 

 

Natália Correia 

1923 – 1993

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Sexta-feira, 28 de Setembro de 2007

Recordando... Natália Correia

 

O ENCONTRO

Como se um raio mordesse
meu corpo pêro rosado
e o namorado viesse
ou em vez do namorado

um novilho atravessasse
meus flancos de seda branca
e o trajecto me deixasse
uma açucena na anca

como se eu apenas fosse
o efeito de um feitiço
um astro me desse um couce
e eu não sofresse com isso

como se eu já existisse
antes do sol e da lua
e se a morte me despisse
eu não me sentisse nua

como se deus cá em baixo
fosse um cigano moreno
como se deus fosse macho
e as minhas coxas de feno

como se alguém dos espaços
me desse o nome de flor
ou me deixasse nos braços
este cordeiro de amor

 

 

Natália Correia

1923 – 1993
 

 

 

 

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