Segunda-feira, 2 de Julho de 2007

Recordando... António Joaquim de Mesquita e Mello

«... Embora cego, quase de nascença, não deixou, contudo, de ser um talentoso poeta e de nos legar uma obra vasta e variada ... »

VEM Ó DOURO REPOR NO BERÇO AUGUSTO

 

Vem ó Douro repor no berço augusto

Aquella, cuja graça não se pinta;

E traze-a tão de manso, que não sinta

Um ligeiro temor, um leve susto.

 

O respeito lhe dá, devido e justo,

Que seu mérito exímio não desminta;

Pois entre as nymphas tuas é distincta,

Qual entre ervinhas levantado arbusto.

 

Mas tu pela razão de ser mais bella,

Eternisando a dôr que me devora,

Cruel talvez recuzarás trazel-a.

 

Ah! Vê que a falta sua um triste chora!

Tu já foste feliz á vista d'ella;

Deixa-me ser tambem feliz agora.

 

 

Soneto L – Página 52

 

Antonio Joaquim de Mesquita e Mello

1792 – 1884

In Collecção de Poesias Reimpressas e Inéditas

Tomo II – e ultimo. 1861

Typ. de Manoel  José Pereira

 

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Segunda-feira, 28 de Maio de 2007

Recordando... Sophia de Mello Breyner

ESTE É O TEMPO

 

Este é o tempo

Este é o tempo

Da selva mais obscura

 

Até o ar azul se tornou grades

E a luz do sol se tornou impura

 

Esta é a noite

Densa de chacais

Pesada de amargura

 

Este é o tempo em que os homens renunciam.

 

 

 

Sophia de Mello Breyner

1919 – 2004

In Mar Novo (1958)

 

 

 

 

 

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Sexta-feira, 18 de Maio de 2007

Recordando António Joaquim de Mesquita e Mello

MAL, QUE NAS FAXAS INFANTIS FUI VISTO

 

Mal, que nas faxas infantis fui visto,

Victima fui de febre torbulenta:

A existência salvei n'essa tormenta,

Para jamais saber aonde existo!

 

Servem-me as Plantas, d'animais me visto,

D'elles me nutro, a Terra me sustenta;

A agoa me refrigera, o Sol me aquenta,

Sem leve idèa eu ter de tudo isto!

 

Meu desastre me oprime em taes correntes,

Que só conheço bem trévas, e penas,

Horríveis Sócias minhas, permanentes!

 

D'este vasto Universo ignoro as Scenas,

Côres, Mar, Terra, Ceo, Plantas, Viventes,

Cousas são de que os nomes sei apenas.

 

 

Nota do autor – Foi por effeito d'uma febre maligna,

que eu perdi na infancia a visão.

 

Antonio Joaquim de Mesquita e Mello

1792 – 1884

In Collecção de Poesias Reimpressas e inéditas

Tomo II – e ultimo. 1861

Porto - Typ. Sebastião José Pereira

 

 

 

 

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