Domingo, 7 de Outubro de 2012

Recordando... Maria Eugénia Cunhal

BASTASTE TU

 

Bastou aquele gesto
Da tua mão tocar tão docemente a minha
Pra nascerem raízes
Que me prendem à terra e me alimentam
Nas horas mais vazias

Bastou aquele olhar
- O teu olhar tão brando, prolongando-se um pouco sobre o meu –
Para iluminar as noites em que a lua se esconde
E a escuridão envolve um mundo sem sentido.

Bastou esse teu jeito de sorrir,
Um sorriso em que vejo despontar a confiança
Na vida não vivida, nas emoções ainda não sentidas,
Nos passos que ressoam noutros passos

Bastaste tu.


In “Silêncio de Vidro”

Editorial Escritor

 

Maria Eugénia Cunhal

N. 1927

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Quarta-feira, 19 de Outubro de 2011

Recordando... Maria Eugénia Cunhal

QUANDO VIERES

 

Encontrarás tudo como quando partiste.
A mãe bordará a um canto da sala...
Apenas os cabelos mais brancos
E o olhar mais cansado.
O pai fumará o cigarro depois do jantar
E lerá o jornal.
Quando vieres
Só não encontrarás aquela menina de saias curtas
E cabelos entrançados
Que deixaste um dia.
Mas os meus filhos brincarão nos teus joelhos
Como se te tivessem sempre conhecido.
Quando vieres
nenhum de nós dirá nada
mas a mãe largará o bordado
o pai largará o jornal
as crianças os brinquedos
e abriremos para ti os nossos corações.
Pois quando tu vieres
Não és só tu que vens
É todo um mundo novo que despontará lá fora
Quando vieres.

 

In “Silêncio de Vidro”

Editorial Escritor

 

Maria Eugénia Cunhal

N. 1927

 

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Terça-feira, 8 de Dezembro de 2009

Recordando... Maria Eugénia Cunhal... Poetisa Contemporânea

SPARTACUS

 

Em cada hora
Em cada dia
Século após século
os homens arremessam o teu nome ao vento

e dele saem dardos, punhais, espadas
e dele saem pombas e flores ensanguentadas
De cada letra um filho
De cada som um eco

Teu nome-profecia
Teu nome vinho-novo
que ao terceiro dia há-de ressuscitar
nas veias do meu povo

Teu nome
que mil vezes tem sido agrilhoado
Teu nome sangue-mel
nos lábios do carrasco uma esponja de fel

Teu nome-escravo
Teu nome-espectro
fantasma de terror na noite de algozes
temido como as vozes que clamam no deserto

Teu nome-salmo
escrito em cada corpo morto
em cada cruz erguida

 

Teu nome-espiga
que se transforma
em pão
Teu
nome-pedra
da construção do mundo
que será o fruto do teu gesto

Teu nome
em cada gesto do esvoaçar das asas
da gaivota presa

Teu nome
vela-acesa na catedral da esperança
do altar-homem

Teu nome
em cada grito
em cada mão

Teu nome-sinfonia
que há-de explodir com a alegria
de um átomo liberto

Spartacus!
Teu nome-irmão.

 

 

In “As Mãos e o Gesto”

Editorial Escritor

 

Maria Eugénia Cunhal

N. 1927

 

 

 

 

 

 

 

sinto-me: Radiante Sempre...
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