Quarta-feira, 4 de Fevereiro de 2009

Recordando... Poetas do Séc. XIX/XX... Forbela Espanca

ANGÚSTIA


Tortura do pensar! Triste lamento!
Quem nos dera calar a tua voz!
Quem nos dera cá dentro, muito a sós,
Estrangular a hidra num momento!

E não se quer pensar!... e o pensamento
Sempre a morder-nos bem, dentro de nós...
Querer apagar no céu – ó  sonho atroz! –
O brilho duma estrela, com o vento!...

E não se apaga, não... nada se apaga!
Vem sempre rastejando como a vaga...
Vem sempre perguntando: «O que te resta?...»

Ah! não ser mais que o vago, o infinito!
Ser pedaço de gelo, ser granito,
Ser rugido de tigre na floresta!

 

 

In “Livro de Mágoas”

Sonetos – Estante Editora

 

Florbela Espanca

1894 – 1930

 

 

 

 

 

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Sexta-feira, 12 de Setembro de 2008

Recordando... Poetas do Passado e do Presente... Florbela Espanca

SUPREMO ENLEIO

 

Quanta mulher no teu passado, quanta!
Tanta sombra em redor! Mas que me importa?
Se delas veio o sonho que conforta,
A sua vinda foi três vezes santa!

 

Erva do chão que a mão de Deus levanta,
Folhas murchas de rojo à tua porta...
Quando eu for uma pobre coisa morta,
Quanta mulher ainda! Quanta! Quanta!

 

Mas eu sou a manhã: apago estrelas!
Hás de ver-me, beijar-me em todas elas,
Mesmo na boca da que for mais linda!

 

E quando a derradeira, enfim, vier,
Nesse corpo vibrante de mulher
Será o meu que hás de encontrar ainda...

 

1930

 

In “Charneca em Flor”

Sonetos -  Estante Editora

 

Florbela Espanca

1894 – 1930

 

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Sábado, 12 de Abril de 2008

Recordando... Poetisas Portuguesas (1)... Florbela Espanca

 

NOITE DE SAUDADE

 

 

A Noite vem poisando devagar
Sobre a Terra, que inunda de amargura...
E nem sequer a bênção do luar
A quis tornar divinamente pura...

 

Ninguém vem atrás dela a acompanhar
A sua dor que é cheia de tortura...
E eu oiço a Noite imensa soluçar!
E eu oiço soluçar a Noite escura!

 

Porque és assim tão escura, assim tão triste?!
É que, talvez, ó Noite, em ti existe
Uma saudade igual à que eu contenho!

 

Saudade que eu sei donde me vem...
Talvez de ti, ó Noite!... Ou de ninguém!...
Que eu nunca sei quem sou, nem o que tenho!!

 

 

In “Livro das Mágoas – 1919 “ – Sonetos

Colecção Autores Portugueses de Ontem

Livraria Estante – 1988

 

Florbela Espanca

1894 – 1930

 

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Sexta-feira, 7 de Setembro de 2007

Recordando... Florbela Espanca

 

OS VERSOS QUE TE FIZ

 

Deixa dizer-te os lindos versos raros

Que a minha boca tem pra te dizer!

São talhados em mármore de Paros

Cinzelados por mim pra te oferecer.

 

Têm dolência de veludos caros,

São como sedas pálidas a arder...

Deixa dizer-te os lindos versos raros

Que foram feitos pra te endoidecer!

 

Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...

Que a boca da mulher é sempre linda

Se dentro guarda um verso que não diz!

 

Amo-te tanto! E nunca te beijei...

E nesse beijo, Amor, que eu te não dei

Guardo os versos mais lindos que te fiz!

 

 

In "Sonetos – Livro de Soror Saudade" – 1923 

 

Florbela Espanca

1894 – 1930                                  

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Quarta-feira, 4 de Julho de 2007

Recordando... Florbela Espanca

Ódio?

 

 

Ódio por ele? Não... Se o amei tanto,
Se tanto bem lhe quis no meu passado,
Se o encontrei depois de o ter sonhado,
Se à vida assim roubei todo o encanto...

 

Que importa se mentiu? E se hoje o pranto
Turva o meu triste olhar, marmorizado,
Olhar de monja, trágico, gelado
Como um soturno e enorme Campo Santo!

 

Ah! Nunca mais amá-lo é já bastante!
Quero senti-lo d’outra, bem distante,
Como se fora meu, calma e serena!

 

Ódio seria em mim saudade infinda,
Mágoa de o ter perdido, amor ainda.
Ódio por ele? Não... não vale a pena...

 

 

Florbela Espanca

1894 – 1930

In Sonetos – Livro de Soror Saudade – 1923

 

 

 

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