Segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

Recordando... Camilo Pessanha... Poeta do Séc. XIX

VIDA

 

Choveu! E logo da terra humosa

Irrompe o campo das liliáceas.

Foi bem fecunda, a estação pluviosa!

Que vigor no campo das liliáceas!

 

Calquem. Recalquem, não o afogam.

Deixem. Não calquem. Que tudo invadam.

Não as extinguem. Porque as degradam?

Para que as calcam? Não as afogam.

 

Olhem o fogo que anda na serra.

É a queimada... Que lumaréu!

Podem calcá-lo, deitar-lhe terra,

Que não apagam o lumaréu.

 

Deixem! Não calquem! Deixem arder.

Se aqui o pisam, rebenta além.

- E se arde tudo? - Isso que tem?

Deitam-lhe fogo, é para arder...

 

 

In “Clepsidra”

Colecção: Biblioteca Ulisseia de Autores Portugueses

Editorial Verbo

 

 

Camilo Pessanha

1867 – 1926

 

sinto-me: Radiante Sempre...
publicado por cateespero às 00:00
link do post | Deixe seu comentário | ler comentários (1) | favorito
Sexta-feira, 11 de Janeiro de 2008

Recordando... Poetas séc. XIX (2)... Camilo Castelo Branco

 

ANEL

 

Dá-me um anel; mas que seja
Como o anel em que cingida
Tem gemido toda a minha vida.
Dá-me um anel; mas de ferro,
Negro, bem negro, da cor
Desta minha acerba dor,
Deste meu negro desterro!

 

Dá-me um anel; mas de ferro...
Sempre comigo hei-de tê-lo;
Há-de ser o negro elo,
Que me prenda à sepultura.
Quero-o negro...seja o estigma,
que decifre o escuro enigma,
Duma grande desventura.

 

Dá-me um anel; mas de ferro,
Que resista mais que os ossos
Dum cadáver aos destroços
Do roaz verme do pó.
Entre as cinzas alvacentas,
como espólio das tormentas
Apareça o ferro só.

 

E o teu nome impresso nele,
Falará dum grande amor,
Nutrido em ânsias de dor,
Pelo fel da sociedade...
Que teu nome nele escrito,
Nesse padrão infinito,
Vá comigo à Eternidade.

 

In “366 Poemas Que Falam de Amor”

 

Camilo Castelo Branco

1825 – 1890

 

sinto-me: Radiante Sempre...
publicado por cateespero às 00:00
link do post | Deixe seu comentário | ler comentários (1) | favorito
Sexta-feira, 12 de Outubro de 2007

Recordando... Poetas do Séc. XIX... Camilo Castelo Branco

 

JORGE

Constantemente vejo o filho amado
Na minha escuridão, onde fulgura
A estática pupila da loucura,
Sinistra luz dum cérebro queimado.

Nas rugas de seu rosto macerado
Transpira a cruciantíssima tortura
Que escurentou na pobre alma tão pura
Talento, aspirações... tudo apagado!

Meu triste filho passas vagabundo
Por sobre um grande mar calmo, profundo,
Sem bússola, sem norte e sem farol.

Nem gozo nem paixão te altera a vida:
Eu choro sem remédio a luz perdida,
Bem mais feliz és tu, que vês o sol.

 

 

IN "Nas Trevas"

 

Camilo Castelo Branco

1825 – 1890

 

sinto-me: Radiante sempre...
publicado por cateespero às 00:00
link do post | Deixe seu comentário | favorito
Sexta-feira, 13 de Julho de 2007

Recordando... Camilo Castelo Branco

 

OS AMIGOS

 

Amigos, cento e dez, ou talvez mais,

Eu já contei. Vaidades que sentia:

Supus que sobre a Terra não havia

Mais ditoso mortal entre os mortais!

 

Amigos, cento e dez, tão serviçais,

Tão zelosos das leis da cortesia,

Que já farto de os ver me escapulia

Às suas curvaturas vertebrais.

 

Um dia adoeci profundamente:

Ceguei. Dos cento e dez houve um somente

Que não desfez os laços quase rotos.

 

– Que vamos nós – diziam – lá fazer?

Se ele está cego, não nos pode ver!...

– Que cento e nove impávidos marotos.

 

 

Camilo Castelo Branco

1825 – 1890

 

Gentilmente enviado por minha

Amiga/Irmã Maria Albertina

 

sinto-me: Radiante sempre...
publicado por cateespero às 00:00
link do post | Deixe seu comentário | favorito

.Eu

.pesquisar

 

.Setembro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
14
15
16
17
18
20
21
22
23
24
26
27
28
29
30

.Visitas desde Agosto.2008


contador de visitas gratis

.Ano XI

.Estão neste momento...

.posts recentes

. Recordando... Camilo Pess...

. Recordando... Poetas séc....

. Recordando... Poetas do S...

. Recordando... Camilo Cast...

.arquivos

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

.tags

. todas as tags

blogs SAPO

.subscrever feeds