Sexta-feira, 28 de Agosto de 2009

Recordando... Helga Moreira... Poetisa Contemporânea

APENAS DO AMOR QUERO TÃO ALTO PREÇO

 

Apenas do amor quero tão alto preço

do mais pouco ou quase nada peço

dias há em que o verso pede rima

como este a querer o que estima

 

e que não direi; pois que a vida

se se sente desordenada

ou em ardor que começa e finda

imprevisível em cada coisa e nada

 

ninguém assim o determina.

Apenas de quando em quando vestígios

por entre duas cidades, dois rios

 

um a norte, outro a sul que te imagina

ou balouça ou adormenta se o penso

querer dizer aqui o que não posso

 

In “Tumulto”

& ETC. – Edições

 

Helga Moreira

N. 1950

 

 

 

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Quinta-feira, 4 de Setembro de 2008

Recordando... Poetas do Passado e do Presente... Luís de Camões

AMOR É FOGO QUE ARDE SEM SE VER

 

 

Amor é fogo que arde sem se ver,

é ferida que dói e não se sente;

é um contentamento descontente

é dor que desatina sem doer;

 

É um não querer mais que bem querer;

é solitário andar por entre a gente,

é nunca contentar-se de contente;

é cuidar que se ganha em se perder.

 

É querer estar preso por vontade;

é servir a quem vence, o vencedor;

é ter com quem nos mata lealdade.

 

Mas como causar pode seu favor

nos corações humanos amizade,

se tão contrário a si é o mesmo Amor?

 

 

In “SE TUDO FOSSE IGUAL A TI” 

Poesia de Luís de Camões – 2007

Edição Alma Azul

 

Luís de Camões

1524 (?) – 1580

 

 

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Domingo, 24 de Agosto de 2008

Recordando... Poetas Contemporâneos... Joaquim Pessoa

MEU AMOR QUE EU NÃO SEI

 

Meu amor que eu não sei. Amor que eu canto. Amor que eu digo.
Teus braços são a flor do aloendro.
Meu amor por quem parto. Por quem fico. Por quem vivo.
Teus olhos são da cor do sofrimento.

 

Amor-país.
Quero cantar-te. Como quem diz:

 

O nosso amor é sangue. É seiva. E sol. E primavera.
Amor intenso. Amor imenso. Amor instante.
O nosso amor é uma arma. E uma espera.
O nosso amor é um cavalo alucinante.

 

O nosso amor é um pássaro voando. Mas à toa.
Rasgando o céu azul-coragem de Lisboa,
Amor partindo. Amor sorrindo. Amor doendo.
O nosso amor é como a flor do aloendro.

 

Deixa-me soltar estas palavras amarradas
Para escrever com sangue o nome que inventei.
Romper. Ganhar a voz duma assentada.
Dizer de ti as coisas que eu não sei.
Amor. Amor. Amor. Amor de tudo ou nada.
Amor-verdade. Amor-cidade.
Amor-combate. Amor-abril.
Este amor de liberdade.

 

 

In "Amor Combate"

 

Joaquim Pessoa

N. 1948

 

 

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Sexta-feira, 26 de Outubro de 2007

Recordando... Poetas do Séc. XIX... Gonçalves Crespo

 

FERVET AMOR

Dá para a cerca a estreita e humilde cela
dessa que os seus abandonou, trocando
o calor da família ameno e brando
pelo claustro que o sangue esfria e gela.

Nos florões manuelinos da janela
papeiam aves o seu ninho armando,
vêem-se ao longe os trigos ondulando...
Maio sorri na Pradaria bela.

Zumbe o insecto na flor do rosmaninho:
nas giestas pousa a abelha ébria de gozo:
zunem besouros e palpita o ninho.

E a freira cisma e cora, ao ver, ansioso,
do seu catre virgíneo sobre o linho
um par de borboletas amoroso.

 

 

Gonçalves Crespo

1846 – 1883

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Sexta-feira, 18 de Maio de 2007

Um passado recente... David Mourão Ferreira

 

SONETO DO CATIVO

 

Se é sem dúvida Amor esta explosão

de tantas sensações contraditórias;

a sórdida mistura das memórias,

tão longe da verdade e da invenção;

 

 

o espelho deformante; a profusão

de frases insensatas, incensórias;

a cúmplice partilha nas histórias

do que os outros dirão ou não dirão;

 

 

se é sem dúvida Amor a cobardia

de buscar nos lençóis a mais sombria

razão de encantamento e de desprezo;

 

 

não há dúvida, Amor, que te não fujo

e que, por ti, tão cego, surdo e sujo,

tenho vivido eternamente preso!

 

 

David Mourão Ferreira

1927 – 1996  

In "Os Quatro Cantos do Tempo"

 

 

 

 

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