Domingo, 1 de Março de 2015

Recordando... Afonso Duarte

CANÇÃO DO NU

 

Lindo

Mármore precioso que na alcova

Surpreendi dormindo!

E lindo

À luz dum fósforo, acendido a medo,

Despertou sorrindo.

E, lindo,

Dos olhos as meninas me saltaram

Para o nu que se estava descobrindo.

 

Linda!

Ficou-se ao desgasalho adormecida,

Ai vida,

Como ainda não vi coisa tão linda.

 

Linda,

Braços abertos em desnudo amplexo,

Seu corpo era uma púbere mendiga,

E ele é que estava pedindo,

Lindo,

O meu sexo.

 

In “Contemporanea”

Director – José Pacheco

Ano I – Volume III – Nº.9 Ano 1923

 

 

Afonso Duarte

(1884 – 1958)

publicado por cateespero às 00:00
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Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2012

Recordando... Afonso Duarte

CABELOS BRANCOS

 

Cobrem-me as fontes já cabelos brancos,
Não vou a festas. E não vou, não vou.
Vou para a aldeia, com os meus tamancos,
Cuidar das hortas. E não vou, não vou.

Cabelos brancos, vá, sejamos francos,
Minha inocência quando os encontrou
Era um mistério vê-los: Tive espantos
Quando os achei, menino, em meu avô.

Nem caiu neve, nem vieram gelos:
Com a estranheza ingénua da mudança,
Castanhos remirava os meus cabelos;

E, atento à cor, sem ter outra lembrança,
Ruços cabelos me doía vê-los...
E fiquei sempre triste de criança.

 

In "Ossadas" – 1947

Afonso Duarte

1884 – 1958 

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Terça-feira, 1 de Fevereiro de 2011

Recordando... Afonso Duarte

PROVENÇAL

 

Em um solar de algum dia
Cheiinho de alma e valia,
Foi ali
Que ao gosto de olhos a vi

Como dantes inda vasto
Agora
Não tinha pombas nem mel.
E à opulência de outrora,
Esmoronado e já gasto,
Pedia mãos de alvenel.

Foi ali
Que ao gosto de olhos a vi.

O seu chapéu, que trazia
Do calor contra as ardências,
Era o que a pena daria
Num certo sabor e arrimo
Com jeitos de circunferências
A morrer todas no cimo.

Davam-lhe franco nos ombros
As pontas do lenço branco:
E sem que ninguém as ouça,
Eram palavras da moça
Com a voz alta de chamar;

Palavras feitas em gesto,
Igualzinho e manifesto,
Como um relance de olhar.

E bela, fechada em gosto,
Fazia o seu rosto dela
A gente mestre de amar.

Foi num solar de algum dia,
Cheiinho de alma e valia,
Que eu disse de mim para ela
Por este falar assim:

Vem, meu amor!

E os dois iremos juntos pelos montes;
E o Sol abençoará, nosso tesoiro,
A seara, o pão da terra, o trigo loiro,
E como nós hão-de falar as fontes.

Vem, meu amor!

E terás os meus cantos, o que eu valho;
Vem: serás do meu sangue e meu suor!
Dê-me beijos e graça o teu amor
E encherás de ternura o meu trabalho.

Vem, meu amor!

E o fim do nosso dia, o sol poente,
Sem más obras na mente e coração,
Há-de sorrir à nossa casa, à gente.

Vem, meu amor!

Vem como o Sol doirado quando brilha
De juntinho da terra e em devoção
Ele a beija e fecunda à maravilha.


In "Ritual do Amor"

 

Afonso Duarte

1884 – 1958  

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