Segunda-feira, 1 de Maio de 2017

Recordando... Adolfo Casais Monteiro

FADO

 

Música triste

desenganado

canto nocturno

a pouco e pouco

vai penetrando

meu coração

 

Nocturna prece

ou pesadelo

não sei que sombra

aquele canto

em mim deixou.

 

Febre ou cansaço?

Não sei! Nem quero.

Lúgubre pranto

de roucas vozes

não tem beleza

– só emoção.

 

É como um eco

de noites mortas

de vidas gastas

ao deus dará.

 

Mas eu o recebo

dentro de mim.

Entendo. Choro.

Eu o recebo

Como um irmão.

 

In "Heras e Eras"

 

Adolfo Casais Monteiro

(1908-1972)

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Quarta-feira, 30 de Novembro de 2016

Recordando... Adolfo Casais Monteiro

REALIDADE

 

A realidade é apenas

uma luz por dentro das coisas. Teia

em que se enreda o olhar que traz

dentro de si o amor do mundo.

Vaso que dá forma à

toalha líquida dos instantes. Suspensa

ponte sobre as margens do tempo.

Baste ao amor a adivinhação, ao sorriso

a presença de um sonho.

A luz floresce em qualquer parte.

 

In "Heras e Eras"

 

Adolfo Casais Monteiro

(1908-1972)

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Quarta-feira, 30 de Abril de 2014

Recordando... Adolfo Casais Monteiro

AURORA

 

A poesia não é voz — é uma inflexão.

Dizer, diz tudo a prosa. No verso

nada se acrescenta a nada, somente

um jeito impalpável dá figura

ao sonho de cada um, expectativa

das formas por achar. No verso nasce

à palavra uma verdade que não acha

entre os escombros da prosa o seu caminho.

E aos homens um sentido que não há

nos gestos nem nas coisas:

 

voo sem pássaro dentro.

 

"Voo sem pássaro dentro"

 

In “Poesias Completas”

INCM – Imprensa Nacional Casa da Moeda

 

Adolfo Casais Monteiro

1908 – 1972

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Domingo, 1 de Janeiro de 2012

Recordando... Adolfo Casais Monteiro

VEM VENTO, VARRE

 

Vem vento, varre

sonhos e mortos. 

Vem vento, varre

medos e culpas. 

Quer seja dia,

quer faça treva,

varre sem pena,

leva adiante

paz e sossego,

leva contigo

nocturnas preces,

presságios fúnebres,

pávidos rostos

só covardia.

Que fique apenas

erecto e duro

o tronco estreme

de raiz funda. 

Leva a doçura,

se for preciso:

ao canto fundo

basta o que basta.                  

 

Vem vento, varre!   

 

 

In “Noite Aberta Aos Quatro Ventos – Líricas Portuguesas”

Portugália Editora

 

Adolfo Casais Monteiro

1908 – 1972

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