Sábado, 30 de Abril de 2016

Recordando... António Patrício

SAUDADE DO TEU CORPO

 

Tenho saudades do teu corpo: ouviste

correr-te toda a carne e toda a alma

o meu desejo – como um anjo triste

que enlaça nuvens pela noite calma?...

 

Anda a saudade do teu corpo (sentes?...)

Sempre comigo: deita-se ao meu lado,

dizendo e redizendo que não mentes

quando me escreves: «vem, meu todo amado...»

 

É o teu corpo em sombra esta saudade...

Beijo-lhe as mãos, os pés, os seios-sombra:

a luz do seu olhar é escuridade...

 

Fecho os olhos ao sol para estar contigo.

É de noite este corpo que me assombra...

Vês?! A saudade é um escultor antigo!

 

In “Poesia Completa”

Assírio e Alvim - 1989

 

António Patrício

(1878-1930)

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Segunda-feira, 25 de Abril de 2016

Recordando... José Afonso

GRÂNDOLA, VILA MORENA

 

Grândola, vila morena

Terra da fraternidade

O povo é quem mais ordena

Dentro de ti, ó cidade

 

Dentro de ti, ó cidade

O povo é quem mais ordena

Terra da fraternidade

Grândola, vila morena

 

Em cada esquina um amigo

Em cada rosto igualdade

Grândola, vila morena

Terra da fraternidade

 

Terra da fraternidade

Grândola, vila morena

Em cada rosto igualdade

O povo é quem mais ordena

 

À sombra duma azinheira

Que já não sabia a idade

Jurei ter por companheira

Grândola a tua vontade

 

Grândola a tua vontade

Jurei ter por companheira

À sombra duma azinheira

Que já não sabia a idade

 

In ”Textos e Canções”

Relógio d’Água Editores

 

José Afonso

(1929-1987)

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Terça-feira, 19 de Abril de 2016

Recordando... A. Oliveira Cruz

ESTA SEDE DE QUEM BEBE

 

... esta sede de quem bebe

o acto apenas de beber

... insaciável fonte!...

 

nada mais-me nu...

que este ter-que-ser que sou

... e me espero ao fim!...

 

... o limiar de cada coisa

por que passo adentro em mim

... num vaivém fraterno!...

 

... este rio-enchente

de loucas fúrias amores

... que de mim faz Voz!...

 

... a melancolia

de quem sofre até à loucura

... sem que nelas tombe!...

 

mesmo que não o quisesse.

- e não nunca o quererei -

meu destino é sê-lo!

 

A Sabia Ignorância

 

In “Haï-Cantos” Volume XI

Instituto Piaget

 

A. Oliveira Cruz

(N.1945)

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Quarta-feira, 13 de Abril de 2016

Recordando... Natália Correia

A ALMA

 

Votada ao fogo obediente ao perigo

Feroz do amor ser muito e o tempo pouco,

Chegas ébrio de sonho, ó estranho amigo

E eu não sei se por mim és anjo ou louco.

 

Num beijo infindo queres morrer comigo.

Nesse extremo és sagrado e eu não te toco.

Esquivo-me: o teu sonho mais instigo.

Fujo-te: a tua chama mais provoco.

 

A incêndio do teu sangue me condenas

E com ciumentas ervas te envenenas

Dizendo às nuvens que só tu me viste.

 

Bebendo o vinho de amantes mortos queres

Que eu seja a mais prateada das mulheres.

E de ser tão amada eu fico triste.

 

In “Sonetos Românticos”

Editora "O Jornal” 1990

 

Natália Correia

(1923-1993)

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Quinta-feira, 7 de Abril de 2016

Recordando... Maria Teresa Horta

DESAVINDA

 

Desordenada comigo

oponho o corpo ao destino

como quem veste o vestido

e o despe em desatino

 

Desavinda com o sossego

ponho a nudez onde acendo

o grito do meu prazer

que ora prendo ora desvendo

 

In "Poesia Reunida"

Publicações Dom Quixote - 2009

 

Maria Teresa Horta

(N. 1937)

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Sexta-feira, 1 de Abril de 2016

Recordando... Alberto de Oliveira

MISSAL DO POENTE

 

Às tardes. Cai o sol por trás de Santa Clara,

numa rubra explosão hilariante de cores:

pelo Mondego azul, passam barcos à vara,

onde, a cantarolar, avisto os Pescadores.

 

Do céu pérola, onde há uns laivos purpurinos,

cai uma doce luz, pacífica, serena...

Os choupos cortam no ar uns rendilhados finos,

transparentes, subtis, como um desenho à pena.

 

E, enquanto a Lua vem branqueando no horizonte,

o comboio, a correr, passa na velha ponte,

surge de entre um maciço escuro de salgueiros.

 

E eu, tristemente, como um solitário monge,

lembro a Pátria, a Família, os meus Amigos longe

e, com saudade, agito o lenço aos passageiros!

 

In "A saudade na Poesia portuguesa"

Portugália Editora - 1967

 

Alberto de Oliveira

(1873-1940)

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