Sábado, 30 de Novembro de 2013

Recordando... Manuel Maria de Barbosa du Bocage

SONETO IX

 

Arreitada donzela em fofo leito,
Deixando erguer a virginal camisa,
Sobre as roliças coxas se divisa
Entre sombras subtis pachacho estreito;

De louro pêlo um círculo imperfeito
Os papudos beicinhos lhe matiza;
E a branda crica, nacarada e lisa,
Em pingos verte alvo licor desfeito:

A voraz porra as guelras encrespando
Arruma a focinheira, e entre gemidos
A moça treme, os olhos requebrados:

Como é linda boçal, perde os sentidos:
Porém vai com tal ânsia trabalhando,
Que os homens é que vêm a ser fodidos.

 

 

In “Poesias, eróticas, burlescas e satíricas”

Colecção Clássicos do Erotismo

Editora Escriba – 1969

 

Manuel Maria de Barbosa du Bocage

1765 – 1805

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Segunda-feira, 25 de Novembro de 2013

Recordando... José Agostinho Baptista

TEMPO

 

Não sei se te nomeie ou nomeie o vento,
isto que passa
e procura os outros lugares onde o pólen cai.
Talvez uma colmeia confie ao seu mel o que
ficou de um ano
em que a tempestade não se fez ouvir sobre
as corolas.
O que viste antes de setembro perdeu-se,
apagou-se,
afastou-se sem dizer nada,
como os barcos que pouco a pouco se
afastaram da nossa vida,
calados e brancos,
com as suas gaivotas de asas fechadas,
envelhecendo lado a lado, sobre o convés.

In “Agora e na Hora da Nossa Morte”
Assírio & Alvim

 

José Agostinho Baptista
N. 1948

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Terça-feira, 19 de Novembro de 2013

Recordando... Maria Irene Costa

ROSA CAÍDA

 

Rosa caída, quem te cortou?

Quem, da haste frágil,

Te lançou ao caminho

E te abandonou?

Quem de ti se esqueceu

E à sede te condenou?

 

Vem, levanta-te

Ou serás pisada!

Pés distraídos te calcarão!

Vem, levantar-te-ei

E numa jarra com água

Te colocarei.

Da fonte da vida,

Hás-de beber

E cheia de vida,

Te hei-de ver!

 

O veludo das pétalas,

Emurchecido, há-de renascer,

Tua cor e perfume,

Alegria irão espalhar

E, de novo, te sentirás viver.

 

Vem, beberás da água,

Sempre a jorrar

E em canteiro mimoso,

Te irei plantar.

 

Mãos carinhosas te afagarão

E darás vida a um coração!

 

In “O Livro da Nena” – Fevereiro de 2008

Papiro Editora

 

Maria Irene Costa

N. 1951

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Quarta-feira, 13 de Novembro de 2013

Recordando... Maria da Encarnação Baptista

ALHEAMENTO

 

Ando não sei por onde
tão longe e não me fixo!

Que asa me levou
e não tem descanso?

Ando não sei por onde
sem grade nem encanto.

E no entanto
não regresso nem fico...

 

In “As Folhas de Poesia Távola Redonda"
Fundação Calouste Gulbenkian
Boletim Cultural – Série VI – n.º 11 – Outubro de 1988

 

Maria da Encarnação Baptista
N. 1924

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Quinta-feira, 7 de Novembro de 2013

Recordando... João de Deus

ADORAÇÃO

              

              Vi o teu rosto lindo,

               Esse rosto sem par;

 Contemplei-o de longe mudo e quedo,

 Como quem volta de áspero degredo

               E vê ao ar subindo

               O fumo do seu lar!

 

               Vi esse olhar tocante,

               De um fluido sem igual;

 Suave como lâmpada sagrada,

 Benvindo como a luz da madrugada

               Que rompe ao navegante

               Depois do temporal!

 

               Vi esse corpo de ave,

               Que parece que vai

 Levado como o Sol ou como a Lua

 Sem encontrar beleza igual à sua;

               Majestoso e suave,

               Que surpreende e atrai!

 

               Atrai e não me atrevo

               A contemplá-lo bem;

 Porque espalha o teu rosto uma luz santa,

 Uma luz que me prende e que me encanta

               Naquele santo enlevo

               De um filho em sua mãe!

 

               Tremo apenas pressinto

               A tua aparição,

 E se me aproximasse mais, bastava

 Pôr os olhos nos teus, ajoelhava!

               Não é amor que eu sinto,

               É uma adoração!

 

               Que as asas providentes

               De anjo tutelar

 Te abriguem sempre à sua sombra pura!

 A mim basta-me só esta ventura

               De ver que me consentes

               Olhar de longe... olhar!

 

 

In “Amor Idílico”

Colecção Autores Portugueses de Ontem

Livraria Estante Editora – Março.1990

 

João de Deus

1830 – 1896 

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Sexta-feira, 1 de Novembro de 2013

Recordando... Maria Vitória Afonso

APENAS UM DIA AZIAGO

 

Levantou-se meu príncipe garboso

Veio a fada de varinha de condão

Fecha-se-lhe o cenho e temeroso

Meu gesto de esconder a solidão.

 

A abóbora guardada na garagem

Porque sonhar não era proibido

Já não vai servir de carruagem

Morrerá entre chouriços, no cozido

 

Príncipe de mil carinhos num só dia

Que me deixa doce e cheia de alegria

Agora no estômago a sensação de murro

 

Meu príncipe querido e idolatrado

Beijo às vezes o chão por ti pisado

Hoje te verei com orelhas de burro

 

In “Os Confrades da Poesia”

Ano IV – Boletim Bimensal Nº 48 – Maio/Junho.2012

 

Maria Vitória Afonso
N.1941

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