Sexta-feira, 30 de Setembro de 2011

Recordando... Graça Pires

POEMA DE AMOR

 

Enquanto os meus passos procuram
nos teus a ressonância da alegria
e ambos reconhecemos a luz fascinada
do olhar, dá-me a tua mão.
O nosso caminho não é a tristeza,
nem a raiva, nem o medo.
O rio conhece-nos a voz
porque transportamos no coração
pássaros em chamas e vagueamos lado
a lado, sem tempo, sem idade.
Um desvio de malícia denuncia
a suspeita cumplicidade da brisa
que nos brinca no rosto.
Uma densa névoa lambe,
tumultuada, a pele da noite,
Ao amanhecer, quase inesperadamente,
far-se-à verão em nossas bocas.
O teu nome e o meu nome serão frutos
de esperma e saliva presos à língua.
Os teus olhos : inquietos,
deslumbrados, transparentes.


In “Conjugar Afectos”
Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas – 1997

 

Graça Pires

N. 1946

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Domingo, 25 de Setembro de 2011

Recordando... Castro Reis

DILEMA

 

Principio a escrever este poema,

Porque a escrever as horas são mais breves…

Escrevo, nesta hora, por dilema

De penas que não são para mim levas!...

 

Sinto que algo me prende e que me algema,

Longos são os momentos, por mais breves…

É esta a razão forte e suprema,

Porque tu, pobre poeta, agora escreves!...

 

Mas valerá a pena eu escrever,

Estragar tantas folhas de papel,

Se tudo, será pois, para esquecer?!...

 

Coragem, meu poeta, aceita a Vida,

Quer ela seja doce ou seja fel,

Vale a pena, medita, de Alma erguida!

 

 

In ”Esta Cidade Que Eu Amo”

Edição do Grupo de Acção Recreativa

e  Cultural Semente Nova (GARC)

Agosto de 1985 – Porto

 

Castro Reis

1918 – 2007

 

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Segunda-feira, 19 de Setembro de 2011

Recordando... Pedro Homem de Mello

HINO AO PORTO

 

Cidade em que as burguesas vão à missa
Vestidas de vermelho carmesim.
Em vão, a luz, sobre elas, se espreguiça...
(As mães, pelo caminho, ao vir da missa
Proíbem-lhes os bancos do jardim...)

Não há fidalgos hoje. Há comerciantes.
É deles todo o ar que se respira!
Noites sem flor, sem luz, sem estudantes
E sem guitarras e sem mentira!

Para sentir o mar, o rio eterno
Cava, connosco, a rocha que dormia
E deita-se connosco, na alegria
De imaginar o céu, calcando o inferno.

Na rua escura as lojas de oiro e pano
São pedras frias, frígidas mas quietas.
Ó frios mercadores de oiro e pano
Porto! Mercado frio e desumano...
E no entanto ali é que há Poetas!

Lutar! – é  o verbo. – Não  morrer – é a vida.
Mas em surgindo a morte, que na estrada
Os ombros verguem sob a urna pesada
E seja lenta a hora da partida!

Noites sem luz, sem mel, sem fantasia!
Noites sem estudantes e sem flor!
Porto! – cidade pulmonar e fria
Que tens a força de negar ao dia
A medicina do amor!


In “Bodas Vermelhas”

Porto Editora – 1979 – 3.ª  edição

 

Pedro Homem de Mello

1904 – 1984  

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Terça-feira, 13 de Setembro de 2011

Recordando... Rui Knopfli

ILHA DOURADA

 

A fortaleza mergulha no mar

os cansados flancos

e sonha com impossíveis

naves moiras

Tudo mais são ruas prisioneiras

e casas velhas a mirar o tédio

As gentes calam na

voz

uma vontade antiga de lágrimas

e um riquexó de sono

desce a Travessa da "Amizade"

Em pleno dia claro

vejo-te adormecer na distância,

Ilha de Moçambique,

e faço-te estes versos

de sal e esquecimento

 

 

In "A Ilha de Próspero"

 

Rui Knopfli
1932 – 1997

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Quarta-feira, 7 de Setembro de 2011

Recordando... José Régio

SONETO DE AMOR

 

Não me peças palavras, nem baladas,
Nem expressões, nem alma... Abre-me o seio,
Deixa cair as pálpebras pesadas,
E entre os seios me apertes sem receio.

Na tua boca sob a minha, ao meio,
Nossas línguas se busquem, desvairadas...
E que os meus flancos nus vibrem no enleio
Das tuas pernas ágeis e delgadas.

E em duas bocas uma língua..., - unidos,
Nós trocaremos beijos e gemidos,
Sentindo o nosso sangue misturar-se.

Depois... - abre os teus olhos, minha amada!
Enterra-os bem nos meus; não digas nada...
Deixa a Vida exprimir-se sem disfarce!


In “Antologia Pessoal da Poesia Portuguesa”
de Eugénio de Andrade
Campo das Letras


José Régio

1901 – 1969

 

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Quinta-feira, 1 de Setembro de 2011

Recordando... António Forte Salvado

NOSTALGIA

A pequena flor
só que além nasceu
sonhou ser maior:
nada lhe valeu…

Na cova esquecida,
sol que desejou
não a bafejou,
bastarda da vida…

E era flor ou gente?
Esquecida imperfeita
numa dor silente
ali jaz desfeita!


In "Tropos” – 1969

 

António Forte Salvado

N. 1936

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