Sexta-feira, 28 de Agosto de 2009

Recordando... Helga Moreira... Poetisa Contemporânea

APENAS DO AMOR QUERO TÃO ALTO PREÇO

 

Apenas do amor quero tão alto preço

do mais pouco ou quase nada peço

dias há em que o verso pede rima

como este a querer o que estima

 

e que não direi; pois que a vida

se se sente desordenada

ou em ardor que começa e finda

imprevisível em cada coisa e nada

 

ninguém assim o determina.

Apenas de quando em quando vestígios

por entre duas cidades, dois rios

 

um a norte, outro a sul que te imagina

ou balouça ou adormenta se o penso

querer dizer aqui o que não posso

 

In “Tumulto”

& ETC. – Edições

 

Helga Moreira

N. 1950

 

 

 

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Segunda-feira, 24 de Agosto de 2009

Recordando... Daniel Maia-Pinto Rodrigues... Poeta Contemporâneo

POUCO DEPRESSA

 

falo-te de chuva

como quem diz que as minhas mãos

não se exaltam em revisitar-te o peito

 

falo-te de sol
como excesso de brilho entre nós.

revejo todos os verdes

no peppermint do meu cálice

enquanto a janela abro

pouco depressa

sobre a tarde

 

falo-te de cansaço

como quem se sentasse

numa poltrona de lã

 

 

In “O Afastamento Está Ali Sentado”

Quasi Edições

 

Daniel Maia-Pinto Rodrigues

N. 1960

 

 

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Quinta-feira, 20 de Agosto de 2009

Recordando... Maria Irene Costa... Poetisa Contemporânea

MULHER NA NOITE

 

Ei-la que passa

Com sua magia,

Quebrando na noite,

A monotonia.

Bamboleando atravessa a rua,

Como uma estrela ou como a lua.

Deixa no ar um vago perfume,

Que tudo incendeia

Como se fora lume.

A rua pára ao vê-la passar,

O tempo suspenso

Com o seu andar.

 

Um carro que freia,

Uma pomba assustou,

Presa pela asa,

Ao beiral que a criou.

 

Na noite magoada,

Ilusão afastada,

A magia findou…

 

 

In “O Livro da Nena” – Fevereiro de 2008

Papiro Editora

 

Maria Irene Costa

N. 1951

 

 

 

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Domingo, 16 de Agosto de 2009

Recordando... Antero Monteiro... Poeta Contemporâneo

INSÓNIA

 

Um dois e três carneiros
saltitam espertos
Mais três como os primeiros
– e eu de olhos abertos…


Sete oito nove dez
fugidos ao seu dono
Já são quarenta pés
– e eu à espera do sono…


Onze bolas de lã
tropeçando à marrada.
Já é quase manhã
– e quanto a dormir nada…


Uma dúzia balindo
(e só sabem balir)
Que rebanho tão lindo
de horas sem dormir!…


Mais cinco dezassete,
mais quatro vinte e um
Esta noite promete
– e eu sem sono nenhum…


Vinte e dois vinte e três…
E mais um par recolho
Já passaram mais dez
– e eu sem pregar olho…


Já lá vão trinta e quatro
se não erro ou não esqueço
Lá vem mais um pacato
– e eu cá não adormeço…


Chega meia centena
a tropeçar na lama
Quem de mim terá pena
sempre às voltas na cama?


Já são oitenta e cinco
mais quinze faz os cem
Eles brincam e eu brinco
sem ter sono também…


Ai se o lobo nocturno
atacasse… – que horror!
Por isso é que não durmo
É que eu sou o pastor…



In “A Lia Que Lia Lia”

Elefante Editores

 

Antero Monteiro

N. 1946

 

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Quarta-feira, 12 de Agosto de 2009

Recordando... Rosa Alice Branco... Poetisa Contemporânea

MANUAL DE JARDINAGEM

É preciso mudar a terra do poema,
talvez arranjar um vaso maior
e deitar estrume em cada vaso.
Ainda ontem removi a terra
e vi no peso das palavras como escondem
o segredo da leveza.
É melhor esperarmos pela primavera/
por todos os meses que faltam
para hoje. Até lá
regarei o vaso como de costume.
Tenho exactamente o tempo de uma pausa/
atravessa o poema com o teu passo ágil
e senta-te comigo.
Que palavras nos fizeram falar? O que buscamos
no silêncio? Qual a melhor hora
para regar a água?
Caminhemos um pouco. No fundo do vaso
a razão declina no corpo do poema.
Havemos de a retirar com a pá que floresce na primavera/
depois atravessamos verso a verso
à superfície
sem vaso que contenha a humildade da terra.

 

In “Soletrar o Dia” – Obra Poética

Quasi Edições

Rosa Alice Branco

N. 1950


 

 

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Sábado, 8 de Agosto de 2009

Recordando... Adília Lopes... Poetisa Contemporânea

PARA UM VIL CRIMINOSO

 

Fizeste-me mil maldades
e uma maldade muito grande
que não se faz
acho que devo ter sido a pessoa
a quem fizeste mais maldades
nem deves ter feito a ninguém
uma maldade tão grande
como a que me fizeste a mim
não sei se tens remorsos
tu dizes que não tens remorsos nenhuns
porque dizes que és um vil criminoso
para mim
eu também sou uma vil criminosa
mas não para ti
desconfio que tens o remorso
de ter alguns remorsos
por teres feito mil maldades
e uma maldade muito grande
a maldade muito grande está feita
e não se faz
acho que essa maldade muito grande
nos aproximou um do outro
em vez de nos afastar
mas para mim é um drôle de chemin
e para ti também deve ser
mas com um vil criminoso nunca se sabe

 

 

In “Um Jogo Bastante Perigoso”

Edição da Autora

 

Adília Lopes

N. 1960

 

 

 

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Terça-feira, 4 de Agosto de 2009

Recordando... Nuno Judíce... Poeta Contemporâneo

ALEGORIA FLORAL

   

Um dia em que a mulher nasça do caule da roseira

que cresce no quintal; ou um dia em que a nuvem

desça do céu para vestir de névoa os seus

seios de flor: seguirei o caminho da água nos

canteiros que me levam ao caule, e meter-me-ei

pela terra em busca da raiz.

   

Nesse dia em que os cabelos da mulher se

confundirem com os fios luminosos que o sol

faz passar pela folhagem; e em que um perfume

de pólen se derramar no ar liberto da névoa:

procurarei o fundo dos seus olhos, onde corre

uma transparência de ribeiro.

   

Um dia irei tirar essa mulher de dentro da flor,

despi-la das suas pétalas, e emprestar-lhe o véu

da madrugada. Então, vendo-a nascer com o dia,

desenharei nuvens com a cor dos seus lábios, e

empurrá-las-ei para o mar com o vento brando

da sua respiração.

  

Depois, cobrirei essa mulher que nasceu da roseira

com o lençol celeste; e vê-la-ei adormecer, como

um botão de rosa, esperando que a nuvem desça

do céu para a roubar ao sonho da flor.

    

 

In "O Estado dos Campos"

Publicações Dom Quixote

 

Nuno Júdice

N. 1949

 

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