Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

Recordando... Ferreira da Costa

MINHA MÃE

 

Rosa, flor do coração,

de sete amores em botão

quinze rebentos brotaram;

entre eles, oito floriram,

catorze botões surgiram,

novas Rosas germinaram.

Quantas mais tu irás ver?...

Mais botões irão nascer

das Rosas, da lei da vida;

noventa pétalas, Rosa,

do jardim és flor ditosa

dos botões, Rosa querida.

Neste dia, nossa mãe

que noventa anos tem

sobre a luz dos olhos seus;

tem a sorte de ver flores,

essência de seus amores,

prendas da vida, de Deus.

Mãe! Estás de parabéns,

uma grande herança tens

neste jardim de verdade;

Deus te dê muita saúde,

paz, amor, a plenitude,

da sublime felicidade.

 

24/04/2007

 

In “Triângulos Poéticos I”

1ª. Edição – Abril de 2008

artEscrita Editora

 

Ferreira da Costa

N. 1945

 

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Domingo, 24 de Maio de 2009

Recordando... Maria Irene Costa

MINHA MÃE

 

As saudades que eu sinto

Do tempo em que era rainha

E fazia renda com uma linha,

Para enfeitar nossa casa.

Minha mãe se sentava

No banco da nossa cozinha,

Enquanto eu lhe contava

Os episódios da escola

E ela meiga falava,

De tudo o que eu amava.

 

Trocávamos nossas reflexões

E por vezes aos serões,

Ela um pouco dormitava;

Se não fosse maçador

Falava-lhe com amor,

Das coisas das minhas crianças,

Dos seus sonhos e esperanças,

Das histórias do dia a dia

E ela por vezes ria

Da terna ingenuidade,

Dos alunos que eu amava.

 

Ai minha mãe, quem me dera,

Fosse sempre Primavera

E tu, no banco da cozinha,

Não passasse de quimera!

Ai Inverno, como és frio,

A neve caindo no rio

E gelando dentro de mim!

E o banco da cozinha,

Que está para sempre vazio!

 

A tua almofada,

Bem depressa a escondi;

Não foi para me esquecer de ti,

Mas para tanto não sofrer!

De pouco adiantou,

Que na cadeira vazia,

Nem mesmo na noite fria,

Teu amor não se sentou!

As saudades que eu sinto,

Do tempo em que era rainha

E estavas sempre sentada,

No banco da nossa cozinha!

 

 

In “O Livro da Nena” – Fevereiro de 2008

Papiro Editora

 

Maria Irene Costa

N. 1951

 

 

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Quarta-feira, 20 de Maio de 2009

Recordando... Castro Reis

À MEMÓRIA DE MINHA MÃE

 

Morreste, minha Mãe, Deus quis assim

Pôr fim à tua dor e sofrimento!...

A vida te foi dura e bem ruim,

Mas terminou, enfim, o teu tormento!...

 

Sei que bem longe agora, estás de mim,

E que apenas nos une o pensamento!...

Sem ti, ó minha Mãe, em dor sem fim,

Sou mais pobre, a partir deste momento!...

 

Não torno mais a ler-te os versos meus,

Nem a enxugar o pranto aos olhos teus,

Nem minha dor, ó Mãe, jamais te inquieta!...

 

Deus te compense e dê paz lá no Céu,

Porque foi no teu ventre que nasceu

Um filho, que Deus quis fosse Poeta!...

 

 

In “Esta Cidade Que Eu Amo” – Porto – 1985

Edição do Grupo de Acção Recreativa

e Cultural Semente Nova (GARC)

 

Castro Reis

1918 – 2007

 

 

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Sábado, 16 de Maio de 2009

Recordando... Deolinda Reis

MÃE…

 

Hoje em ti pensei,

longe do murmúrio,

da existência do meu ser

que em ti deixei

quando decidi nascer.

 

Hoje parei para reflectir

nessa tua imagem de mulher,

quedada ao ver-me sorrir,

numa etapa de vida qualquer,

incentivando-me a seguir.

 

És o tesouro qu’em mim guardei

e que sempre irei recordar.

Irás em mim permanecer

porque me vais acompanhar

para nunca me perder,

 

porque em minhas quedas de criança

amparaste-me com determinação,

orientaste estes meus passos,

agarrando sempre a minha mão.

 

 

In “No Silêncio das Palavras”

1ª Edição – Setembro.2007

artEscrita Editora, Lda.

 

Deolinda Reis

N. 1964

 

 

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Terça-feira, 12 de Maio de 2009

Recordando... Eugénio de Andrade

POEMA À MÂE

 

No mais fundo de ti
eu sei que te traí, mãe.

 

Tudo porque já não sou
o menino adormecido
no fundo dos teus olhos.

 

Tudo porque ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.

 

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.

 

Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.

 

Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.

 

Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!

 

Olha – queres ouvir-me? –
às vezes ainda sou o menino
Que adormeceu nos teus olhos;

 

ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;

 

Ainda oiço a tua voz:
           
Era uma vez uma princesa
           No meio do laranjal...

 

Mas – tu sabes - a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.

 

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.

 

Boa noite. Eu vou com as aves.

 

 

In "Antologia Breve "

5ª. Edição – Outubro 1985

Editora Limiar

 

Eugénio de Andrade

1923 – 2005

 

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Sexta-feira, 8 de Maio de 2009

Recordando... Isabel Seixas

MÃE MENINA

 

Ouvi chamar-te mãe

Olhei incrédula

Ouvi dizer filho vem

Fiquei de pedra

 

Teus olhos brilhantes

Tez de porcelana

Expressões adolescentes

Olhar de quem ama

 

Levas pela mão

Esse filho irmão

De tão tenra idade

És sensibilidade

 

Mãe menina

Quem é que destina

Essa tua sorte

Quem te denomina

Mãe sem te dar o porte

 

Mãe menina

Quem te leu a sina

E te deu o mote

Para esta rima

A de Mãe precoce

 

Mãe menina menina Mãe

Tu que dás teu colo

Para consolo

Precisas também

De um colo de alguém

 

 

In “Resquícios de Luz”

Colecção Sinais de Poesia

Edição de Formasau – Coimbra

 

Isabel Seixas

N. 1961

 

 

 

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Segunda-feira, 4 de Maio de 2009

Recordando... António Nobre

LONGE DE TI


Longe de ti, na cela do meu quarto,
Meu corpo cheio de agoirentas fezes,
Sinto que rezas do outro mundo, harto,
Pelo teu filho, minha mãe, não rezes!

Para falar, assim, vê tu! já farto,
Para me ouvires blasfemar, às vezes,
Sofres por mim as dores cruéis do parto
E trazes-me no ventre nove meses!

Nunca me houvesses dado à luz, senhora!
Nunca eu mamasse o leite aureolado
Que me fez homem, mágica bebida!

Fora melhor ter nascido, fora,
Do que andar, como eu ando, degredado
Por esta costa de África da vida.


Coimbra, 1889

 

In ” Só” – Fev.1989

Estante Editora

 

António Nobre

1867 – 1900

 

 

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