Domingo, 28 de Setembro de 2008

Recordando... Poetas do Passado e do Presente... Eugénio de Andrade

URGENTEMENTE

 

 

É urgente o amor.

É urgente um barco no mar.

 

É urgente destruir certas palavras,

ódio, solidão e crueldade,

alguns lamentos,

muitas espadas.

 

É urgente inventar a alegria,

multiplicar os beijos, as searas,

é urgente descobrir rosas e rios

e manhãs claras.

 

Cai o silêncio nos ombros e a luz

impura, até doer.

É urgente o amor, é urgente

permanecer.

 

 

In "Antologia Breve" – Editora Limiar – 1985

 

Eugénio Andrade

1923 – 2005 

 

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Quarta-feira, 24 de Setembro de 2008

Recordando... Poetas do Passado e do Presente... Francisco de Vasconcelos

À FRAGILIDADE DA VIDA HUMANA

Esse baxel, nas praias derrotado,
Foi nas ondas Narciso presumido;
Esse farol, nos ceos, escurecido,
Foi do monte libré, gala do prado.

Esse nácar em cinzas desatado,
Foi vistoso pavão de Abril florido;
Esse estio em Vesúvios encendido,
Foi Zéfiro suave, em doce agrado.

Se a nao, o Sol, a rosa, a Primavera,
Estrago, eclipse, cinza ardor cruel
Sentem nos auges de um alento vago,

Olha, cego mortal, e considera
Que é rosa, Primavera, Sol, baxel,
Para ser cinza, eclipse, incêndio, estrago.


IN "Fénix Renascida III"

 

Francisco de Vasconcelos

1665 – 1723

 

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Sábado, 20 de Setembro de 2008

Recordando... Poetas do Passado e do Presente... Anrique Paço D'Arcos

ALÉM DA MORTE

 

Fecho os olhos num sonho que me leva

Às paragens divinas da saudade,

Lá onde a noite é apenas claridade

Dando origem talvez a nova treva.

Fecho os olhos e avisto a Eternidade,

Lá onde um sol fantástico se eleva

Num perpétuo fulgor, sem que descreva

Sua órbita de luz na imensidade.

Fecho os olhos e vejo a minha imagem

Anoitecendo os longes da paisagem,

Como a única sombra que persiste...

Sou eu! sou eu aquele vulto errando!

Sou eu, além da morte ainda sonhando

Na tua graça e neste amor tão triste!...

 

 

In "Mors – Amor"

Atlântida Livraria Editora – 1928

 

Anrique Paço D’Arcos
Henrique Belford Correia da Silva – Conde de Paço D’Arcos

1906 – 1993 

 

 

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Terça-feira, 16 de Setembro de 2008

Recordando... Poetas do Passado e do Presente... Jorge de Aguiar

CABO

 

Espanha foi já perdida
por Letabla uma vez,
e a Tróia destruída
por males que Helena fez.
Desabafa, coraçam,
vive, nam te desesperes,
ca´a que fez pecar Adam
foi a mãe destas mulheres.

 

 

In “Cancioneiro Geral”, II

 

Jorge de Aguiar

Séc. XV - XVI

 

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Sexta-feira, 12 de Setembro de 2008

Recordando... Poetas do Passado e do Presente... Florbela Espanca

SUPREMO ENLEIO

 

Quanta mulher no teu passado, quanta!
Tanta sombra em redor! Mas que me importa?
Se delas veio o sonho que conforta,
A sua vinda foi três vezes santa!

 

Erva do chão que a mão de Deus levanta,
Folhas murchas de rojo à tua porta...
Quando eu for uma pobre coisa morta,
Quanta mulher ainda! Quanta! Quanta!

 

Mas eu sou a manhã: apago estrelas!
Hás de ver-me, beijar-me em todas elas,
Mesmo na boca da que for mais linda!

 

E quando a derradeira, enfim, vier,
Nesse corpo vibrante de mulher
Será o meu que hás de encontrar ainda...

 

1930

 

In “Charneca em Flor”

Sonetos -  Estante Editora

 

Florbela Espanca

1894 – 1930

 

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Segunda-feira, 8 de Setembro de 2008

Recordando... Poetas do Passado e do Presente... José Ferreira Gomes

COME E NÃO TE CALES

 

Ai de quem não come

nem embala

o pão

de qualquer ilusão.

E, cheio de fome

no estômago e no coração,

não come

e cala.

 

Eu não.

 

Neste mundo impuro

anseio sempre pelo pomo

da árvore do futuro

para meu regalo.

 

E, quando não como,

não me calo.

 

Grito e gritarei sempre!

Juro.

 

 

In "Come e Cala" Nº 8 – Ano I – 1981 

 

José Gomes Ferreira

1900 – 1985

 

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Quinta-feira, 4 de Setembro de 2008

Recordando... Poetas do Passado e do Presente... Luís de Camões

AMOR É FOGO QUE ARDE SEM SE VER

 

 

Amor é fogo que arde sem se ver,

é ferida que dói e não se sente;

é um contentamento descontente

é dor que desatina sem doer;

 

É um não querer mais que bem querer;

é solitário andar por entre a gente,

é nunca contentar-se de contente;

é cuidar que se ganha em se perder.

 

É querer estar preso por vontade;

é servir a quem vence, o vencedor;

é ter com quem nos mata lealdade.

 

Mas como causar pode seu favor

nos corações humanos amizade,

se tão contrário a si é o mesmo Amor?

 

 

In “SE TUDO FOSSE IGUAL A TI” 

Poesia de Luís de Camões – 2007

Edição Alma Azul

 

Luís de Camões

1524 (?) – 1580

 

 

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