Quarta-feira, 28 de Maio de 2008

Recordando... Poetas naturais do Porto (Portugal)... Castro Reis

DÁDIVA DIVINA

 

Como é grande o valor da Natureza

E tudo quanto a Mão de Deus criou…

O mais pequeno ser, nos dá certeza

Da grandeza divina que o moldou!...

 

Obra de maravilha e de Beleza,

Grande foi o Amor que a inspirou…

Toda da Obra de Deus é chama acesa

Que a Natureza Mãe, eternizou!...

 

E dessa Obra prima, de esplendores:

Nasceram rios, árvores e flores,

Aves, astros e coisas divinais!...

 

Mas de tanta grandeza concebida

Com que Deus quis dar vida à própria Vida:

– Ter nascido Poeta, é muito mais!

 

 

In “Esta Cidade Que Eu Amo” – 1985

 

Castro Reis

1918 – 2007

 

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Sábado, 24 de Maio de 2008

Recordando... Poetas naturais do Porto (Portugal)... António Nobre

NA PRAIA LÁ DA BOA NOVA

 

Na praia lá da Boa Nova, um dia,

Edifiquei (foi esse o grande mal)

Alto castelo, o que é a fantasia,

Todo de lápis-lazúli e coral!

 

Naquelas redondezas não havia

Quem se gabasse dum domínio igual:

Oh, castelo tão alto! parecia

O território dum senhor feudal!

 

Um dia (não sei quando, nem sei donde)

Um vento seco de deserto e spleen

Deitou por terra, ao pó que tudo esconde,

 

O meu condado, o meu condado, sim!

Porque eu já fui um poderoso conde,

Naquela idade em que se é conde assim…

 

Porto, 1887

 

In “SÓ” – Sonetos – 3

Estante Editora

 

António Nobre

1867 – 1900

 

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Terça-feira, 20 de Maio de 2008

Recordando... Poetas naturais do Porto (Portugal)... António de Sousa

CARTA ABERTA

 

Diante de ti, que tens fome

ou tremes de cansaço,

perdoa, irmão,

que eu tenha de sofrer

um drama que parece de palavras!

 

Semeio versos,

tu moirejas nas cavas,

regando a terra com o suor do rosto

e requeimas a carne à boca das fornalhas

e gastas a paciência,

vivendo ao ritmo inumano das máquinas

(eu, é da alma que suo...)

 

Não é vida este sonho a que me espelho?

Não me dou como tu?

Irmão, perdoa!

Não fui eu quem talhou o meu destino

e a sede de me ser também é inferno!

 

Irmão, perdoa!

Não feches o teu punho a esta mão sem calos...

Outros, mas também tenho os meus trabalhos:

é com o cerne dos meus nervos

que acendo este luzeiro do meu canto.

 

Se me não vês assim,

se te pareço, ao rumo dos teus passos,

o passo inútil duma lua inquieta

num céu fechado,

ou apenas um mocho (agoirento e romântico),

não me fuzile a tua voz de pragas!

 

Não me chames Poeta

como quem cospe um exorcismo!

Sou teu longínquo irmão,

irmão!

Como tu deserdado

e à espera do mesmo:

sete palmos de terra e de silêncio...

 

 

In “Terra ao Mar” – Editorial Inquérito, 1954

 

António de Sousa

1898 – 1981

 

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Sexta-feira, 16 de Maio de 2008

Recordando... Poetas naturais do Porto (Portugal)... Pedro Homem de Mello

FADO

 

Porque é que adeus me disseste
Ontem e não noutro dia,
Se os beijos que, ontem, me deste
Deixaram a noite fria?

Para quê voltar atrás
A uma esperança perdida?
As horas boas são más
Quando chega a despedida.

Meu coração já não sente.
Sei lá bem se já te vi!
Lembro-me de tanta gente
Que nem me lembro de ti.

Quem és tu que mal existes?
Entre nós, tudo acabou.
Mas pelos meus olhos tristes
Poderás saber quem sou!



Fandangueiro

 

In “Poesias Escolhidas” – Lisboa – INCM – 1983

 

Pedro Homem de Mello

1904 – 1984

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Segunda-feira, 12 de Maio de 2008

Recordando... Poetas naturais do Porto (Portugal)... José Gomes Ferreira

NESSE TEMPO PARA MIM

 

Nesse tempo para mim

amar era trazer uma fogueira

onde colava um rosto de mulher

ou a forma de um jasmim.

 

De vez em quando vestia-lhe um fantasma novo

ou outro sonho qualquer,

ás vezes bastava mudar-lhe o nome

pronunciado com a saliva das manhãs rumorosas

de quem tem sede

 

não de uma fonte especial,

mas apenas do orvalho

que o Sol ao nascer

modela no perfume-seda

das rosas.

 

 

In “Poeta Militante”

Publicações D. Quixote

 

José Gomes Ferreira

1900 – 1985

 

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Quinta-feira, 8 de Maio de 2008

Recordando... Poetas naturais do Porto (Portugal)... Augusto Gil

TOADA PARA AS MÃES ACALENTAREM OS FILHOS

 

Ó Desgraça! Vai-te embora,
Que esta linda criancinha
Andou no meu ventre e agora
Trago-a nos braços. É minha!…

Do berço, segue-me os passos;
Onde eu vou, seus olhos vão…
E quando a aperto nos braços
– Abraço o meu coração.

Quando o seu choro receio,
Embalo-a, faço que aceite
A alegria do meu seio
Na brancura do meu leite…

E quando assim não descansa,
Que tristezas me consomem!
– Mas antes chore
em criança
Que
depois, quando for homem…

Se ao dá-lo ao mundo sofri
Tormentos, ânsias mortais,
Desgraça, vai-te de aqui,
O que pretendes tu mais!?

Bate as asas, mas ao voares
Não me apagues esta estrela.
Se alguém de aqui precisares,
– Aqui me tens, em vez dela.

Tocam às ave-marias.
Foi-se o sol. Não vem a lua.
Luzinha que me alumias,
Que sorte será a tua?…

Riquezas tenhas tão grandes,
E tal bondade também,
Que ao redor donde tu andes
Não fique pobre ninguém.

Que a todos chegue a ventura:
Toda a boca tenha pão,
Toda a nudez cobertura,
Toda a dor, consolação…

Mas se o oiro é mau caminho,
– Antes tu venhas a ser
O pobre mais pobrezinho
De quantos pobres houver.

Iremos por esses montes
Altos e azuis como os céus…
Que onde há frutos e onde há fontes,
– Está a mesa de Deus!

E, quando a neve cair
E as seivas adormecerem,
Iremos então pedir…

(Aceitar o que nos derem!)

Andaremos à mercê
Dos génios bons e dos falsos,
Léguas e léguas a pé,
Rotinhos, magros, descalços…

E onde houver urzes e tojos,
Pedras que rasgam a pele,
Porei o corpo de rojos

– Passarás por cima dele!

Dorme, dorme, meu menino,
Foi-se o sol. Nasceu a lua.
Qual será o teu destino?
Que sorte será a tua?…

Se um crime tens de fazer,
Antes fique vago um trono,
Antes um palácio a arder,
Do que uma enxada sem dono…

Se, porém, no teu destino,
Há tão cruentos sinais,
Dorme, dorme, meu menino,
– Não tornes a acordar mais!…

 

 

In “Luar de Janeiro”

Colecção – Autores Portugueses de Ontem – 1989

Estante Editora

 

Augusto Gil

1873 – 1929

 

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Domingo, 4 de Maio de 2008

Recordando... Poetas naturais do Porto (Portugal)... Almeida Garrett

NÃO ÉS TU

 

Era assim, tinha esse olhar,
A mesma graça, o mesmo ar,
Corava da mesma cor,
Aquela visão que eu vi
Quando eu sonhava de amor,
Quando em sonhos me perdi.

Toda assim; o porte altivo,
O semblante pensativo,
E uma suave tristeza
Que por toda ela descia
Como um véu que lhe envolvia,
Que lhe adoçava a beleza.

Era assim; o seu falar,
Ingénuo e quase vulgar,
Tinha o poder da razão
Que penetra, não seduz;
Não era fogo, era luz
Que mandava ao coração.

Nos olhos tinha esse lume,
No seio o mesmo perfume ,
Um cheiro a rosas celestes,
Rosas brancas, puras, finas,
Viçosas como boninas,
Singelas sem ser agrestes.

Mas não és tu... ai!, não és:
Toda a ilusão se desfez.
Não és aquela que eu vi,
Não és a mesma visão,
Que essa tinha coração,
Tinha, que eu bem lho senti.

 

 

In “Folhas Caídas – Livro Primeiro”

 

Almeida Garrett

1799 – 1854

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