Segunda-feira, 28 de Abril de 2008

Recordando... Poetisas Portuguesas (1)... Maria Tereza Horta

POEMA SOBRE A RECUSA

 

Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
nem na polpa dos meus dedos
se ter formado o afago
sem termos sido a cidade
nem termos rasgado pedras
sem descobrirmos a cor
nem o interior da erva.

 

Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
minha raiva de ternura
meu ódio de conhecer-te
minha alegria profunda.

 

In "Vozes e Olhares Femininos"

Edições Afrontamento – Porto – 2001

 

Maria Tereza Horta

1937

 

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Quinta-feira, 24 de Abril de 2008

Recordando... Poetisas Portuguesas (1)... Violante do Céu

A UMA AUSÊNCIA

Vida que não acaba de acabar-se,
Chegando já de vós a despedir-se,
Ou deixa, por sentida, de sentir-se,
Ou pode de imortal acreditar-se.

Vida que já não chega a terminar-se,
Pois chega já de vós a dividir-se,
Ou procura, vivendo, consumir-se,
Ou pretende, matando, eternizar-se.

O certo é, Senhor, que não fenece,
Antes no que padece se reporta,
Por que não se limite o que padece.

Mas viver entre lágrimas, que importa
Se vida que entre ausência permanece
É só viva ao pesar, ao gosto morta?

 

 

Soror Violante do Céu

1602 – 1693

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Domingo, 20 de Abril de 2008

Recordando... Poetisas Portuguesas (1)... Matilde Rosa Araújo

LOAS À CHUVA E AO VENTO

 

Chuva, porque cais?

Vento, aonde vais?

Pingue... Pingue... Pingue...

Vu... Vu...Vu...

 

Chuva, porque cais?

Vento, aonde vais?

Pingue... Pingue... Pingue...

Vu... Vu...Vu...

 

Ó vento que vais,

Vai devagarinho.

Ó chuva que cais,

Mas cai de mansinho.

Pingue... Pingue...

Vu... Vu…

 

Muito de mansinho

Em meu coração

Já não tenho lenha

Nem tenho carvão...

Pingue... Pingue...

Vu... Vu…

 

Que canto tão frio,

Que canto tão terno,

O canto da água,

O canto do Inverno...

Pingue...

 

Que triste lamento,

Embora tão terno,

O canto do vento

O canto do Inverno...

Vu...

 

E os pássaros cantam

E as nuvens levantam.

 

In “O Livro da Tila”

 

Matilde Rosa Araújo,

1921

 

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Quarta-feira, 16 de Abril de 2008

Recordando... Poetisas Portuguesas (1)... Natália Correia

FIZ UM CONTO PARA ME EMBALAR

 

Fiz com as fadas uma aliança.

A deste conto nunca contar.

Mas como ainda sou criança

Quero a mim própria embalar.

 

Estavam na praia três donzelas

Como três laranjas num pomar.

Nenhuma sabia para qual delas

Cantava o príncipe do mar.

 

Rosas fatais, as três donzelas

A mão de espuma as desfolhou.

Nenhum soube para qual delas

O príncipe do mar cantou.

 

 

Natália Correia

1923 – 1993

 

 

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Sábado, 12 de Abril de 2008

Recordando... Poetisas Portuguesas (1)... Florbela Espanca

 

NOITE DE SAUDADE

 

 

A Noite vem poisando devagar
Sobre a Terra, que inunda de amargura...
E nem sequer a bênção do luar
A quis tornar divinamente pura...

 

Ninguém vem atrás dela a acompanhar
A sua dor que é cheia de tortura...
E eu oiço a Noite imensa soluçar!
E eu oiço soluçar a Noite escura!

 

Porque és assim tão escura, assim tão triste?!
É que, talvez, ó Noite, em ti existe
Uma saudade igual à que eu contenho!

 

Saudade que eu sei donde me vem...
Talvez de ti, ó Noite!... Ou de ninguém!...
Que eu nunca sei quem sou, nem o que tenho!!

 

 

In “Livro das Mágoas – 1919 “ – Sonetos

Colecção Autores Portugueses de Ontem

Livraria Estante – 1988

 

Florbela Espanca

1894 – 1930

 

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Terça-feira, 8 de Abril de 2008

Recordando... Poetisas Portuguesas (1)... Ana Bela Pita da Silva

A TRISTEZA QUE EU SINTO

 

A tristeza que eu sinto!

 

É um consciente, inconsciente,

conjunto de nadas, de gente,

salpicos de madrugadas

nunca nunca chegadas.

 

A tristeza que eu sinto!

 

É um estar presente ausente.

É um afastar aproximar

que de tão diferentes

forçosamente se vão tocar.

 

A tristeza que eu sinto!

 

É um estar triste conteste

tão profunda, tão triste,

ultrapassa-me não é minha

é tristeza de muita gente.

 

 

In ”Fala a Meus Amigos”

Edição da Autora – 1977

 

Ana Bela Pita da Silva

1939

 

 

 

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Sexta-feira, 4 de Abril de 2008

Recordando... Poetisas Portuguesas (1)... Isaura Matias Andrade

LOUCURA

 

Que importa que venhas, que passes agora?

Não quero saber…

E os olhos procuram, há mais de uma hora,

o bem de te ver!...

 

Os olhos tão tristes, famintos, coitados!...

– Porque é que não vens?

Também que interessa? Dos dias passados,

lembranças não tens!...

 

– Nem eu, estou certa. Se é só fantasia

que tudo isto encerra…

Jurei: Hás de ver-me mais dura e mais fria

que as pedras da serra:

 

Desprezo, verás, teu olhar perturbante.

Deixo de ser eu,

se em tua presença não fôr mais distante

que a estrêla do Céu!...

 

Ver-te! Para quê? Se saudades não tenho,

nem vens por aqui.

Mas lá porque eu venho, e não sei porque venho,

não fôra por ti.

 

Lembrar que me lembras, meu Deus, que pavor!

– Mas isso que tem?

Não tenho, não tens, se não temos amor,

            está muito bem:

 

Não se perde nada, nem, dor, és cabida;

mentiras não contam.

Verdades são luzes e as luzes dão vida

assim que despontam.

 

O mundo prossegue na vida galharda;

o Sol está certo.

Há música, há risos, há homens em barda,

e eu… vejo um deserto!

 

Pensar que te esqueço tornou-se mania,

pareço uma louca!

Se trago, coitada, de noite e de dia

teu nome na bôca!...

 

 

In “Sinfonia da Terra” – 1943

Livraria Editora Educação Nacional – Porto

 

Isaura Matias de Andrade

1908

 

 

 

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