Sexta-feira, 30 de Novembro de 2007

Recordando... Poetas séc. XX (1)... Ana Bela Pita da Silva

 

AS TUAS MÃOS

 

Se tu soubesses

 

que tudo o que de mais alto

poderás ambicionar,

está ao alcance das tuas mãos.

 

Se tu soubesses

 

que a razão máxima

da existência das tuas mãos,

é encontrar outras mãos.

 

Se tu soubesses

 

quanta divindade

ganham as tuas mãos,

quando acariciam.

 

Se tu soubesses

 

compreender estas verdades

nunca vazias

tuas mãos fecharias.

 

 

In "Fala a Meus Amigos" – Edição da Autora – 1977 – Lisboa

 

Ana Bela Pita da Silva

N. 1939

 

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Segunda-feira, 26 de Novembro de 2007

Recordando... Poetas séc. XX (1)... Ana Hatherly

 

ERA ASSIM

 

Era assim:

                 

                  queres?

                  queres algo?

                  queres desejar?

                  desejas querer?

                  desejas-me?

                  desejas querer-me?

                  queres desejar-me?

                  queres querer-me?

                  queres que te deseje?

                  desejas que te queira?

                  queres que te queira?

                                                         quanto me

queres?

                                                         quanto me

desejas?

                   ah   quanto te quero

                         quando te quero

                         quando me queres...

 

In "Um calculador de improbabilidades" – Quimera –  2001

 

Ana Hatherly

N. 1929

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Sexta-feira, 23 de Novembro de 2007

Recordando... Poetas séc. XX (1)... Ana Luísa Amaral

 

REFLEXOS

 

Olho-te pelo reflexo

Do vidro

E o coração da noite

 

E o meu desejo de ti

São lágrimas por dentro,

Tão doídas e fundas

Que se não fosse:

 

                        o tempo de viver;

                        e a gente em social desencontrado;

                        e se tivesse a força;

                        e a janela ao meu lado

                        fosse alta e oportuna,

 

invadia de amor o teu reflexo

e em estilhaços de vidro

mergulhava em ti.

 

 

In "Anos 90 e Agora" – Quasi Edições

 

Ana Luísa Amaral

N. 1956

 

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Segunda-feira, 19 de Novembro de 2007

Recordando... Poetas séc. XX (1)... Fátima Andresen

 

NÃO SEI

 

Não sei de mim
se daquilo que parece ser
me perdi.

 

Deixei que a vida me vivesse e,
perdendo-me da vida,
a vida perdeu-se.

 

E menti muito,
para ser melhor
poeta.

 

 

In "Partitura" – Edições Colibri – 1992 – Lisboa – Portugal

 

Fátima Andersen

N. 1940

 

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Sexta-feira, 16 de Novembro de 2007

Recordando... Poetas séc. XX (1)... Manuela Amaral

 

TEU CORPO DE AGOSTO

 

Teu corpo é Agosto

 

Tu cheiras a verão
por baixo das veias

 

Tu cheiras a quente

 

Tu cheiras à febre
do sangue maduro

 

Teu ventre de orgia
teu cheiro a sodoma
aroma-mulher

 

Teu corpo de Agosto
tem cheiro a Setembro.

 

 

In "Amor no feminino"

Editora Fora do Texto – 1997 – Coimbra – Portugal

 

Manuela Amaral 

1934 – 1995

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Segunda-feira, 12 de Novembro de 2007

Recordando... Poetas séc. XX (1)... Natália Correia

 

RETRATO TALVEZ SAUDOSO DA MENINA INSULAR

 

Tinha o tamanho da praia

o corpo era de areia.

Ele próprio era o início

do mar que o continuava.

Destino de água salgada

principiado na veia.

 

E quando as mãos se estenderam

a todo o seu comprimento

e quando os olhos desceram

a toda a sua fundura

teve o sinal que anuncia

o sonho da criatura.

 

Largou o sonho nos barcos

que dos seus dedos partiam

que dos seus dedos paisagens

países antecediam.

 

E quando o seu corpo se ergueu

voltado para o desengano

só ficou tranquilidade

na linha daquele além.

Guardada na claridade

do olhar que a retém.

 

 

Natália Correia 

1923 – 1993

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Sexta-feira, 9 de Novembro de 2007

Recordando... Poetas séc. XX (1)... Sophia de Mello Breyner Andresen

 

PORQUE

 

Porque os outros se mascaram mas tu não

Porque os outros usam a virtude

Para comprar o que não tem perdão.

Porque os outros têm medo mas tu não.

 

Porque os outros são os túmulos caiados

Onde germina calada a podridão.

Porque os outros se calam mas tu não.

 

Porque os outros e compram e se vendem

E os seus gestos dão sempre dividendo.

Porque os outros são hábeis mas tu não.

 

Porque os outros vão à sombra dos abrigos

E tu vais de mãos dadas com os perigos.

Porque os outros calculam mas tu não.

 

 

In "Mar Novo"

 

Sophia de Mello Breyner Andresen

1919 – 2004

 

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Segunda-feira, 5 de Novembro de 2007

Recordando... Poetas séc. XX (1)... Salette Tavares

 

AMOR SILÊNCIO

 

Amor silêncio amargo a roçar-me a morte
grito partido do vidro sobre o peito
ilha deserta no meio das capitais do norte
grilhetas ajustadas no rio em que me deito.

 

Distância cumulada remanso duma espera
ponte de aventura do dois à unidade
amor brilho raiando a chave do desejo
minuto adormecido ao pé da eternidade.

 

Amor tempo suspenso, ó lânguido receio,
no pranto do meu canto és a presença forte
estame estremecido dissimulado anseio
amor milagre gesto incandescente porte.

 

Amor olhos perdidos a riscar desenhos
em largo movimento o espaço circular
amor segundo breve, lanceta, tempo eterno
no rápido castigo da lua a gotejar.

 

 

In "366 poemas que falam de amor" – Quetzal Editores

 

Salette Tavares

1922 – 1994

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Sexta-feira, 2 de Novembro de 2007

Recordando... Poetas do séc. XX (1)... Teresa Machado

 

DEI-TE UM BEIJO

 

Dei-te um beijo e mitiguei
minha sede de mais beijos,
dei-te um só e lamentei
não me sarar os desejos...

 

Um só não é solução
pró lume que me arde no peito...
Mas faz bem ao coração
dar amor a um eleito!

 

Por isso eu hei-de beijar
vezes e vezes sem fim
tua boca apetecida,

 

e tu também me hás-de dar
a retribuição, enfim,
a tua pla minha vida!

 

In Com-sensual-idade " – Hugin Editores – 2001 – Lisboa – Portugal

 

Teresa Machado

N. 1954

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